Flores Sendo - Blog da Lórien

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Blog EntryPlease Mr. PostmanJan 22, '08 5:25 PM
for everyone
Há alguns meses esperava por uma determinada correspondência. Era uma carta importante, que eu sabia que, mais dia, menos dia, ia chegar. E ela chegou, carta registrada, semana passada. Quando o carteiro tocou a campainha, no entanto, nem pensei que pudesse ser ela. E, quando vi o remetente, soube que era a carta que eu esperava. Eu não sabia se ria, se chorava, que divindade deveria agradecer primeiro, se eu dava um abraço no carteiro... preferi me conter a abrir a carta primeiro.
Ela não trazia exatamente o conteúdo que eu esperava, mas ainda assim eram notícias valorosas. No dia seguinte, quando vi um carteiro ao longe, abri aquele sorriso. E não pude me conter de cantar a velha canção, que me é tão cara, na qual uma moça espera notícias de seu namorado que está tão longe (e eu nunca consegui imaginar outro lugar onde ele pudesse estar senão a Guerra do Vietnã). Canção criada por um grupo que ninguém conhece hoje em dia, reinterpretada pelos Beatles e pelos Carpenters.
E, depois desse dia, tenho visto tantos carteiros...Toda vez que saio encontro pelo menos um. Ao sair dessa tarde foram três, entre a minha casa e o ponto onde deveria pegar ônibus, fora o que eu já tinha visto de manhã. E não é simplesmente uma questão de entregas de cartas: Vejo carteiros vindo entregar sedex e outras encomendas, quer de manhã, quer de tarde. Até carteiro correndo prá pegar ônibus eu andei vendo.
O primeiro dos que ví à tarde foi logo após ter dito o nome de Hermes, o mensageiro dos deuses. E, de alguma forma, ligo a proliferação de carteiros no meu bairro à presença dele. Ligo essa boa nova, que me chegou depois de meses de espera, com uma das últimas conversas que tive com ele, com todas as preces de agradecimento, com todas as oferendas e libações que já lhe fiz. Hermes é um deus que eu tenho em alta conta. Que tenho admirado há muito tempo. É um deus que gosta de rir da nossa cara de vez em quando, e atrasar as coisas quando esquecemos dele um pouco, mas que sempre me traz muitos desafios, muito aprendizado, e muitos pequenos e grandes milagres.
Hoje não pude deixar de saudá-lo. Ele se fez presente no múndo físico, assim como Apolo se fez presente no mundo onírico... Estou extremamente feliz, e esperançosa.

Blog EntryCaminhos para a espiritualidade, parte IVOct 7, '07 12:26 AM
for everyone
Uma mente muito inquieta pelas turbulências do dia, uma discussão interessante na Página da Pietra e uma tarefa me trazem de volta, para contar a parte desses caminhos mais próxima ao estágio em que me encontro

Tudo começou quando, na última semana de aula no penúltimo ano de CEFAM, recebemos a notícia de que começaria um novo projeto na escola no ano seguinte: O Círculos de Leitura que, na época, era muito, muito mais modesto do que hoje em dia. O que me interessou logo de cara foi a promessa de que o terceiro livro que seria lido e discutido seria "O Banquete", de Platão. Era uma boa oportunidade  de aumentar os meus conhecimentos. Mas não imaginei que fosse me interessar e envolver tanto.
As discussões eram profundas e me satisfaziam. O tipo de contato proposto com os livros lidos e com a poesia despertavam coisas em mim que eu não sabia nomear. E aquilo tudo me inspirava na escrita e na vida. Havia um sentimento misterioso e muito sutil em jogo, que em muito me alegrava.
Rapidamente me destaquei no projeto - pelos tipos de pensamento que mobilizava, pela carga de leituras que eu tinha antes, pelas poesias que eu comecei a decorar... Eu não era uma figura destacada, várias pessoas emergiam, como pares, cada um como uma flor diferente de um rico jardim. Dentre essas pessoas, superficial ou profundamente, já conhecia praticamente todas; mas foi a que menos conhecia que se tornou o meu companheiro de descobertas, debates e sonhos pelos três anos seguintes: O Chico, que alguns dos que estão lendo aqui provavelmente conhecem.
E nossa primeira coisa compartilhada foi estudar, conjuntamente, a obra de JRR Tolkien. Ler muito, e discutir muito. Por acaso ele tinha "O Hobbit" e foi comprando, ao longo do primeiro semestre daquele ano, as demais obras de Tolkien, e passamos a viver, juntos, um pouco dentro delas.
JRR Tolkien, esse cristão fervoroso, foi uma das pessoas mais importantes para a redescoberta de meu caminho espiritual. Se não foi a mais importante de todas.
E foi empolgante quando ele me ligou nas férias para dizer que tinha comprado O Silmarillion e que ele tinha certeza que eu ia adorar, pois falava de muitos, muitos elfos, e eu adorava elfos. Peguei prá ler, me encantei muito, um tempo depois comprei um para mim para poder fazer anotações... o Silma se tornou minha, nossa Bíblia, por um tempo. E essa expressão, por mais que seja uma brincadeira normal dos Tolkendilli (fãs de Tolkien) foi um pouco verdade para mim. Pois estava vendo e vivenciando uma cosmogonia neopagã novamente, e, mesmo que fosse uma cosmogonia inventada de um mundo inventado, aquilo tudo parecia tão crível... Poderia mesmo ter acontecido em uma realidade paralela, como as histórias que eu escrevia quando estava na sexta série... Estavamos realmente fanáticos por tudo o que se relacionasse à Terra-Média.
O ano de 2003 chegou, entrei na faculdade, comecei a trabalhar no Círculos de Leitura, que realizava sua primeira expansão, junto com o Chico e muitos outros que haviam sido do meu grupo. Vivia um tempo próspero, de realização de sonhos, e tudo isso se gestava em mim. Passou com uma deliciosa leveza.
Para chegar 2004, e, logo no dia 3  de Janeiro, eu tomar coragem e ir, pela primeira vez a um encontro da Toca São Paulo, a sede paulistana do Conselho Branco - Sociedade Tolkien - e começar a conhecer pessoas que são parte muito importante dessa história.
Foi na Toca que conheci, pela primeira vez,  e pessoalmente, pessoas que realmente praticavam o neopaganismo. E foi com eles que comecei, um ano depois. E foi lá que conheci o Chronos, e nunca podia imaginar que aquele carinha tão nulo, com quem mal falei no primeiro ano-e-meio de convivência, ia se casar comigo.
Quando as aulas começaram, tantas coisas novas já tinham acontecido . Estava muito feliz, e, naquele semestre, faria História Medieval! Mas eu, que esperava ouvir da cultura medieval, e do feudalismo, e etc., peguei um professor maravilhoso - o Flávio de Campos - mas que ia se focar em um tema que, para mim, ainda era bem indigesto - a história do cristianismo. Aquilo se engasgou na minha garganta, e disse a mim mesma "ok, vou ter que passar o semestre inteiro estudando isso. Então, vamos tentar tornar as coisas mais leves." E peguei para ler um dos livros que comprara no final do ano anterior, na mega feira que sempre tem na usp com descontos muito bons: "Isto és tu: Redimensionando a Metáfora Religiosa", de Joseph Campbell.
Já havia lido, então, um pedaço d' "O Poder do Mito", e Campbell me encantava muito. Principalmente por que ele havia escrito sobre algo que havia percebido ainda na meninice: Que as mitologias tinham muito em comum umas com as outras - percepção essa que me levou, pela primeira vez, à idéia de cursar História.
O livro do Campbell casou muito bem com as aulas do Flávio, que explicavam a origem da Igreja e do pensamento cristão como o conhecemos, para, através da compreensão racional, ir quebrando  as barreiras ao pensamento cristão que eu tinha me imposto devido às màs experiências do passado. E a conjunção dessas coisas todas foi reacendendo em mim, bem lentamente, um desejo pelo espiritual.
E foi no início do ano seguinte que dei o primeiro passo. Já tinha uma amizade considerável por alguns neopagãos da Toca, e, conversando no MSN no meio do expediente, a Vaire me disse que naquela noite iria à celebração de Briganthia na Hera Mágica. Já havia ido na Hera umas duas vezes, para palestras sobre Tolkien e Rei Arthur do Claudio Quintino. De impulso, decidi ir junto.
Senti muita coisa ao som daqueles tambores, e o que mais me animava era que aquela era uma espiritualidade que compreendia o que eu sentia quando eu declamava um poema, ou lia algo que me encantava. E mais, valorizava esse tipo de sentimento. O pessoal do lado druídico da coisa tem até nome para isso: Awen, o espírito que flui. E, desde esse princípio, eu sempre tive uma relação com o druidismo, embora esse não seja meu caminho principal.
Na celebração seguinte, pela roda do ano, comecei a ir, como visitante, no grupo no qual o pessoal celebrava junto. As práticas eram mistas, com tendências, mas não declaradamente, wiccanas. Acabei entrando para ele, no meio do ano. Mas o grupo estava se desfazendo, pois a maior parte dos participantes estava sendo chamado para caminhos mais específicos. A parte do grupo que se manteve realmente coeso foi a metade dele que resolveu estudar druidismo. Me mantive com essa parte do grupo, já sabendo que o druidismo não era meu caminho, pois ainda não me sentia experiente o suficiente para trilhar as coisas mais independentes. Tudo foi vindo com experiências fortes, mas com tempo de assimilação entre elas, durante meu primeiro ano de celebrações, mas a partir daí as coisas se tornaram mais intensas, e o caminho cada vez mais claro.
Hoje estou aqui, tendo passado por muita coisa, sem nunca ter sido formalmente inciada, sentada de madrugada escrevendo esse texto para aprender a terminar o que começo. Hoje tenho autonomia e confiança na maioria das minhas práticas. Sei me defender e já precisei disso. Leio I-ching, estou engatinhando no tarô. Se alguém me pergunta qual é a minha religião respondo que culuto os deuses da Grécia. Se é alguém que está preparado para saber, digo mais. Honro meus deuses a cada dia, e alguns deles são seres bem próximos de mim. Aprendi a colocar as dúvidas no lugar certo, o primeiro passo para ter um coração forte. Sou casada com um praticante do druidismo, e a diversidade cultural, coisa que parece tão distante para a maioria das pessoas, é cotidiana aqui em casa.
Mas a minha vida não é um mar de rosas. Seguir uma religião como a minha não é fácil. Demanda muito esforço, dedicação, disciplina. Passei por maus bocados por chegar onde estou, e sei que vou passar sempre por eles. Aprendi mesmo a ver a vida como uma sucessão de desequilíbrios. É tudo muito mais difícil do que eu imaginava ao começar.  Aquiles diz a Ulisses no Hades, que poderia ter se contentado em ser um simples  pastor, e ter sido mais feliz, e ter  vida longa.  Eu poderia ter uma vida bem menos complicada sem isso, e talvez fosse mais feliz mesmo. Mas não me arrependo. Pois estou aprendendo a conhecer meu espírito. E esse é o verdadeiro objetivo de uma vida, segundo a minha sabedoria de criança da sexta série...

Blog EntryO Prato do diaJul 12, '06 1:44 PM
for everyone
Se há algo que explica no meio de que turbilhão estou, é essa música:

<B>O Prato do Dia</b>
<i>Pato Fu</i>

Não é tão ruim assim
Não é de todo mau
Quando me corto sem querer
É bom pra me lembrar
que todo esse sangue
que vejo por ai
está por aqui também

Moço, hoje eu vou querer
a comida mais estranha (esquisita)
a que menos se pareça comigo
Tô me sentindo meio jantar hoje
Tô me sentindo meio arroz com feijão

Quem vamos ter pra hoje?
quem vai ser, quem?
Quem vamos ter pra hoje?
quem vai ser, quem, o prato do dia?

Não gosto mais de ler jornal
pensei: é melhor pra mim
fazer as contas do que vi
e nem quero me lembrar
que todo esso sangue
que vejo por ai
está por aqui também

Quem vamos ter pra hoje?
quem vai ser, quem?
Quem vamos ter pra hoje?
quem vai ser, quem, o prato do dia?

Blog Entryúltimo dia de serviçoDec 23, '05 5:53 AM
for everyone
Apolo, dedico esse dia a você! Que sol maravilhoso.

Último dia de serviço. Correria total, já que temos que desmontar o escritório, uma vez que ele vai ser pintado. As pessoas fazem muita bagunça.
Cheguei cedo, e estou ouvindo j-rock enquanto arrumo as coisas.
A cidade já está bem mais vazia hoje. Comparando a segunda, ou terça-feira, é quase o paraíso. Na verdade, to na consolação, não na paraíso, então isso não é uma piada com os nomes das estações de metrô de sampa...
Sabe, eu gosto da cidade. Entendo os sentimentos do Jovem Sonhador do Noites Brancas de Dostoiévski, apesar de não estar tão melancólica quanto ele por ter mais espaço prá caminhar e poder atravessar sem esperar o sinal vermelho. Estou, na verdade, bastante feliz hoje. Mas os movimentos da cidade são tão belos e intrigantes para mim! Acho que ano que vem vou escrever crônicas urbanas. Que tal se chamarem "São Paulo-Babilônia" em homenagem ao Tokyo Babylon do CLAMP? As reflexões sobre a urbanidade do Tokyo Babylon também são muito interessante. A maior parte da história se passa através por conflitos entre as pessoas que surgiram com as grandes cidades contemporâneas...

Bom, um mês de férias me aguardam, e eu estou escrevendo aqui. Escrevendo para não ser lida. Se você chegou até aqui, muito obrigada, e parabéns. Mas ultimamente parece que ninguém mais lê meu multiply

Saudações!


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