Flores Sendo - Blog da Lórien

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Blog EntryAs Mortes - Tanussi CardosoOct 19, '07 12:44 PM
for everyone
Eu to há dias prá postar esse poema aqui, acompanhando a viagem da Pietra com a carta "A Morte" do Tarot, mas sempre me vinha à mente, e sempre me esquecia. Posto, antes que me esqueça de novo. Um amigo sempre recitava de cor para nós.

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As Mortes

quando o primeiro amor morreu
eu disse: morri

quando o meu pai se foi
coração descontrolado
eu disse: morri

quando as irmãs mortas
a tia morta
eu disse: morri

depois, a avó do Norte
os amigos da sorte
os primos perdidos
o pequinês, o siamês
morri, morri

estou vivo
a poesia pulsa
a natureza explode
o amor me beija na boca
um Deus insiste que sim

sei não
acho que só vou
morrer
depois de mim

(Tanussi Cardoso)

Blog Entryinício de 2006 com um adendo à "jornada"Jan 9, '06 6:31 AM
for everyone
"Não terá sido a morte o primeiro navegador? Muito antes que os vivos confiassem eles próprios às àguas, não terão colocado o ataúde no mar, na torrente? O ataúde, nesta hipótese mitológica, não seria a última barca. Seria a primeira barca. A morte não seria a última viagem. Seria a primeira viagem.
.......
Para enfrentar a navegação é preciso que haja interesses poderosos. Ora, os verdadeiros interesses poderosos são os interesses quiméricos. (...) O herói do mar é um herói da morte. O primeiro marujo é o primeiro homem vivo que foi tão corajoso quanto um morto.
......
A morte é uma viagem e a viagem é uma morte. "Partir é morrer um pouco." Morrer é verdadeiramente partir, só se parte bem, corajosamente, nitidamente, quando se segue o fluir da água, a corrente do largo rio. Todos os rios desembocam no rio dos mortos.
......
Assim, o adeus a beira-mar é simultaneamente o mais dilacerante e o mais literário dos adeuses. Sua poesia explora um velho fundo de sonho e de heroísmo."

BACHELARD, G. A água e os sonhos - Ensaio sobre a imaginação da Matéria. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 75-77.

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