Flores Sendo - Blog da Lórien

Lorien's posts with tag: mitologia

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LinkUniversidade faladaJun 29, '08 6:53 PM
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Link: http://www.universidadefalada.com.br

Nesse site há uma série de palestras e aulas sobre diversos temas para download. Os downloads são pagos, mas não são muito caros, e tem coisas que parecem valer à pena. Lembra que eu falei do Viktor Sallis que fala sobre mitologia grega e afins? Então, tem um monte de palestras dele lá!

Saudações!

Há alguns meses eu estou com uma coisa na cabeça, sem saber direito como executar, e um insight da semana passada, junto com os posts recentes da Pietra (sobre amizade na idade antiga) e da Iony (sobre algo que ela lia sobre deusas mães) me deram o feeling de que é tempo de começar.
Eu preciso muito dividir o que estou aprendendo com o livro do Walter Friederich Otto, Os deuses da Grécia. E, por isso, estou fazendo uma coletânea de trechos de um determinado capítulo.
Minha idéia é: Ir postando esses trechos, e, para provocar, colocar perguntas, idéias e opiniões minhas sobre eles. A galera lê, debate, e aprende. Para quem não sabe, eu já fui moderadora de grupos de estudo e leitura presenciais (no projeto Círculos de Leitura, do Instituto Fernand Braudel) e virtuais (eu era uma das pessoas que colaborava num chat semanal de discussão do Silmarillion no site Valinor, há muito tempo atrás, mas acabei deixando de lado quando comecei a namorar com o Chronos, hehehe), o que, hybris à parte, me faz desconfiar que, com participantes tão empolgados quanto eu, o grupo tem como dar um caldo bom.
E aí? Quem topa? O que acham? Alguma modificação à idéia?
Abraços
Lórien

Blog EntryMêmnonMar 29, '08 7:55 PM
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Contarei a história do embate entre Mêmnon e Aquiles, dois guerreiros de igual dignidade, um dos feitos heróicos da Guerra de Tróia. A chegada de Mêmnon, rei da Etiópia, se deu depois da morte do nobre Heitor, e, por isso, não foi contada por Homero em sua obra.
Quando a gloriosa Tétis, filha de Nereu, soube que Mêmnon chegara, com um exército de milhares de homens, para reforçar a defesa de Tróia, ordenou que seu filho Aquiles fosse imediatamente avisado, e ao rei dos mirmidões foi enviada a seguinte mensagem:
"Nobre guerreiro, acautele-se, pois tens um novo desafio. O jovem filho de Titonus de Tróia e da própria Eos, da prole de Hipérion, reforça as fileiras do exército dos filhos de Príamo. Note que, como tu, ele também foi gerado por mãe divina, apesar da paternidade mortal, sendo reconhecido nas terras que reina como o melhor dentre os guerreiros dessa geração. E, como tu, Mêmnon porta lança e espada, armadura e reluzente escudo, todos forjados por Hefesto, o imortal ferreiro."
Tétis estava apreensiva pelo destino de seu filho, tanto quanto Eos Hemera, a senhora da luz, que seria conhecida por todo o ocidente como Aurora, pois ela não dedicava menos amor aos seus filhos mortais que aos imortais, os ventos e as estrelas. E, tão logo a presença da deusa tornou róseo o céu, o filho dela estava armado e pronto para romper as fileiras dos gregos. Em seu carro, ele atacou o centro do exército inimigo com os melhores homens dele, e esse embate foi desfavorável para o exército grego, que perdeu muitos homens.
Com a noite veio a trégua, e, discutindo sobre o que acontecera, os gregos decidiram que restava apenas uma saída, para evitar que os danos fossem ainda maiores: Um dos mais fortes dentre os capitães deveria desafiar Mêmnon para um combate de um contra um, enquanto outros homens de igual coragem lhe dariam apoio, para garantir que nenhuma deslealdade fosse cometida. No entanto, antes que eles conseguissem executar esse plano, Mêmnon matou Antíloco, filho de Nestor, e este, muito abalado com a morte do filho, dela se lamentou perante Aquiles que decidiu, contrariando os pedidos de cautela da parte de Tétis, resolver o problema com as próprias mãos.
Aquiles se moveu na direção de Mêmnon, e a simples visão de seu carro causava temor nas hostes troianas. Chegando perto do rei dos Etíopes, Aquiles atirou uma pedra no escudo de seu adversário, e o desafiou. As nuvens estavam escuras sob as praias da Ilion sitiada.
No olimpo, os deuses reunidos na corte de Zeus fizeram silêncio ao ver que logo se iniciaria o confronto entre o filho de Tétis e o filho de Eos. Os olhares das duas deusas imploravam a Zeus por misericórdia em relação a seus filhos, mas este, profundamente pensativo, ponderava sobre a situação, decidindo qual dos dois sobreviveria, e qual das duas deusas prantearia primeiro pelo filho morto.
Aquiles lutava em igualdade com Mêmnon, e nenhum deles demonstrava sinal de cansaço ou fraqueza, quase como se aquela batalha fosse entre dois imortais. Um grande círculo de guerreiros de ambos os partidos observava, e todas as hostilidades cessaram, esperando o fim daquela luta.
Quando o destino foi decidido, a vida de Mêmnon se foi sob a espada de Aquiles. E muitos, mortais e imortais, sentiram tristeza pela morte do filho da senhora do amanhecer. Sobre uma poça de sangue, tombou Mêmnon, ao lado de tantos outros guerreiros mortos.
Os combates cessaram, com a retirada dos troianos, e todo o céu parecia mais escuro. Com suas asas brancas, Eos desceu ligeira à terra, e envolveu o corpo de Mêmnon em uma névoa prateada, enquanto os Ventos o levaram para as margens de um rio das proximidades. Alí, Eos tomou o corpo do filho em seus braços e o pranteou, cercada pelas Horas, Plêiades e outras divindades que lhe eram caras, e igualmente expressavam sua dor pela perda do jovem; depois, Memnon foi pranteado e queimado por seus homens, os etíopes.
Alguns dizem que Eos transformou os mais nobres dentre os etíopes em pássaros, que voltam, todos os anos, no aniversário da morte de Mêmnon, ao local onde ele foi pranteado e relembram a morte dele. Outros dizem que quando caminhamos pela grama de manhã bem cedo e ela está molhada, isso acontece porque até hoje Eos continua a prantear seu filho.



Imagem: Eos e Memnon, cerâmica ática, aprox. 480 a.C. Museu do Louvre. Extraída de Wikimedia commons.

Acredita-se que esse tipo de iconografia de Eos segurando o corpo de Memnon tenha inspirado imagens de Maria segurando Jesus Cristo morto.



Recontado por: Lórien

Fontes consultadas: Thomas Bulfinch, O livro de Ouro da Mitologia, ed. Ediouro; Theoi Project

Blog EntryTelemaquia - com um conselho para uma amigaFeb 16, '08 8:47 AM
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Ia blogar sobre outra coisa. Essa nem era tema de blog. Mas se fez necessário.

Há umas duas semanas atrás, Chronos me contava uma visualização. E eu, empolgada, e meio sem pensar no que dizia, soltei um "como Proteu?". Chronos não conhecia a lenda. Deixei prá ler prá ele depois, da Odisséia, para ele não perder o que dizia.
E quarta à noite me lembrei disso. O primeiro exemplar da Odisséia que veio à minha mão, pois tenho uns três, foi justo a que eu estudei em 2002, cheia de anotações de uma época em que julgaria muito imaginativo aquele que me dissesse que eu ainda ia cultuar os deuses sobre os quais estava lendo.
Achei a citação sobre Proteu muito mais fácil do que imaginava. Achei que ela estivesse depois da parte sobre Circe, e fosse Odisseu quem tivesse se deparado com ele, mas era Menelau quem contava a Telêmaco, ainda na parte incial da Odisseia, a tal Telemaquia do título.
Acontece que o Velho do Mar logo se tornou uma preocupação secundária, uma vez que eu comecei a ler os trechos que eu havia marcado, e minhas observações, tão sucintas, mas tão cheias de significado. E ver minha energia, de quando era seis anos mais jovem do que sou hoje, ainda impregnada naquelas páginas. Foi bem difícil me desgrudar do livro por algum tempo.

Fui lavar a roupa e a louça, agora há pouco, e acabei começando a pensar em algo que lera a pouco. Uma amiga minha havia escrito sobre sua relação com uma determinada divindade. Saber como se aproximar de uma divindade nunca, nunca é fácil, mas se torna ainda mais difícil quando é uma divindade lembrada por poucos, e cuja presença inspira uma veneração muito profunda. E, então, me lembrei de um trecho, que posto aqui. Serve como conselho para ela, e para todos nós, em diferentes situações.

"E eles chegaram a Pilos, a imponente cidade de Neleu.  (...) A tripulação enrizou a vela e enrolou-a, ancorou o navio e desembarcou. Telêmaco também desembarcou, depois Atenéia [ disfarçada como um mortal chamado Mentor], que rompeu o silêncio, dizendo:
-Não deves mostrar-te envergonhado, de modo algum, Telêmaco. Sabes porque fizeste esta viagem: para saber notícias de teu pai (...) Vamos, pois, procurar logo Nestor: vejamos o que ele realmente pensa e sabe a respeito. Deves tu mesmo falar a Nestor, e pedir-lhe para dizer-te toda a verdade. Ele tem muito bons sentimentos para enganar-te.
Telêmaco replicou:
-Como posso ir cumprimentá-lo, Mentor? Não tenho prática de pronunciar discursos corteses. Além disso, um hovem deve se mostrar tímido quando se dirige a um homem idoso,
Encarando-o com seus olhos penetrantes, Atenéia retrucou:
-Pensarás algumas coisas sozinho, Telêmaco, e outras coisas Zeus colocará em teu espírito. Creio que não naceste e foste criado sem as bênçãos do Céu."

Homero, A Odisséia (em forma de Narrativa). 17a. Edição, Ediouro. Canto III.

Blog EntryPanteões diferentes convivendo juntos?Jan 10, '08 11:04 AM
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Saudações!

Um post da Inês causou polêmica sobre a mistura de deuses de panteões diferentes. Eu já resvalei na minha opinião sobre o assunto neste e neste (também polêmico) escrito, mas nunca cheguei a dar uma opinião mais direcionada e profunda. Então, aí vai:

Em princípio, eu não aprendi nada com ninguém que siga, ou tenha seguido, o mesmo caminho que o meu. Li sobre o meu caminho, mas o aprendizado prático e/ou de convívio físico, foi todo com pessoas que seguem caminhos diferentes, e eu agradeço muito essas pessoas,e honro o jeito que fui, intencionalmente ou não, ensinada (pois a maioria dos que nos ensinam não têm a meta explícita de nos ensinar; eles estão vivendo a vida deles, e acabamos aprendendo com seus exemplos). Isso por sí só seria motivo para mim honrar, pelo menos, os quatro festivais celtas.
E, bem... Eu sou casada com outro neopagão, mas que não segue a mesma linha que eu. O Chronos pratica o druidismo, e eu cultuo os deuses da Grécia. É impossível para mim ignorar a existência do altar dele como a pimeira coisa que olhamos quando acordamos de manhã, assim como é impossível para ele que o meu altar para Héstia não seja a primeira coisa que ele olhe ao chegar em casa.
Há quem diga, mesmo entre praticantes extremamente sérios e conceituados do druidismo que é possível praticar o druidismo honrando deuses de outros panteões. Mas essa NÃO é a minha opinião. Eu já estudei um pouco de druidismo (nem metade do que eu gostaria), mas nunca vai ser o meu caminho. Não funciona assim comigo, apesar de eu usar muitas influências do druidismo nas minhas práticas.
Isso porque os meus deuses têm outras demandas. Meu conceito de ritual é muito mais solene, exige preparações e práticas que não necessáriamente são necessárias no druidismo. Ao mesmo tempo tem coisas importantes lá que não são importantes para mim. Então uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
No entanto, isso continua não impedindo em nada que eu celebre com o Chronos e outras pessoas que conheço que seguem o druidismo, nem que o Chronos ou quem quer que seja celebre os meus deuses comigo, mesmo se guiando por panteões diferentes. Inclusive, dependendo do caso, dentro de uma mesma celebração.
Só é importante distinguir uma coisa da outra. Perante os celtas, ou os nórdicos, ou os deuses afro-brasileiros (nunca assisti um ritual a eles, mas morro de vontade!), eu sempre me sentirei uma estrangeira, e me portarei como minha cultura diz que um estrangeiro deve portar-se: Respeitando os costumes de quem hospeda, sem jamais desprezar a hospitalidade, mas também sem trair meus preceitos.
Se para mim realizar um ritual exige preparações de purificação, não iria para qualquer ritual sem preparo, mesmo que para a religião "do outro" isso não seja necessário porque (como alguém disse em um reply a um dos posts que mencionei lá em cima) para ela tudo é rito. Para mim os deuses estão em todos os momentos de nossas vidas, e em todos eles lhes glorifico, mas existem momentos mais especiais, que são as celebrações, e  essas festas para os deuses  exigem cuidados muito especiais. Se eu não me apresentaria suja em uma festa dedicada aos deuses a que honro, não seria um desrespeito fazer isso perante os deuses honrados pelos meus amigos?
Sempre ao ir a algum ritual de outra cultura, me purifico como se fosse honrar aos meus próprios deuses, e, antes de sair, faço uma prece, avisando que estarei como estrangeira em terras de amigos (e nada mais familiar aos gregos que viajar, que ser estrangeiro e receber o estrangeiro - aliás, muitos de nossos deuses não são, em origem gregos, mas foram trazidos para o que se chama de Grécia Antiga, e assimilados e adaptados por essas populações), e reafirmo que não estou abandonando nada por estar ali. Desde que peguei esse jeito de me comportar, nunca mais tive problemas com o temido (e pesadíssimo) choque de egrégora, e conhecer o estrangeiro só me ajudou e acrescentou.
Quando celebramos de modo misto, seguimos tudo o que é necessário em ambos os modos de celebrar: Eu faço libações e oferendas como meu costume, e o Chronos, que é quem em geral celebra comigo de modo misto, conduz as preces necessárias pelo costume dele. E vamos indo bem assim, sem perder em profundidade, e sem se desrespeitar.

Uma coisa que gosto de lembrar sobre esse assunto é que, para muitos dos modos de se cultuar os deuses da Grécia, mesmo deuses do nosso panteão são inconciliáveis. Já lí várias vezes pela Internet que se deve cultuar apenas os deuses do Olimpo, e que esse negócio de mecher com Titãs ou divindades pré-olímpicas no geral não dá certo, pois "as cargas deles são muito pesadas para que os humanos suportem", e coisas assim. Nem sempre tão nitidamente, mas eu mesma tenho separado: Ou faço um ritual aos olímpicos, ou celebro os titãs e os espíritos da natureza. Mas ainda estou estudando mais, para resolver esse problema na minha mente, pois ainda não sei se preciso, ou não, seguir essa ortodoxia. E mesmo para quem cultua só um panteão, tem aqueles deuses que vemos todo dia, outros em ocasiões especiais...
Vejo tantos problemas em pessoas que misturam panteões quanto os que vejo naquelas que não se informam sobre as individualidades de cada deus, mesmo que cultuando dentro de um único panteão, ou se contentam com informações superficiais. Nada contra alguém que cultue deuses de mais de um panteão, respeitando as particularidades de cada deus e sabendo separar as coisas quando a separação é necessária.

E, se assim não fosse, que direito teríamos de cultuar deuses que não são de nossas terras, sendo que todas as "mitologias" eram geograficamente localizadas? Assim, acho que precisamos tentar não tomar posturas radicais contrárias a determinadas práticas, sem checar a possibilidade de aprofundar nelas antes. O que deve ser criticado, e combatido, e lembrado como exemplo para não fazer, é a superficialidade e o desleixo de certas práticas, o desrespeito às particularidades de cada deus e de cada cultura, e a prática de coisas sérias como se fossem brincadeiras, sem o preparo e o estudo necessário. Como disse o Chronos ontem, "nesse ramo, pior que o mal intencionado só o mal informado".

Blog EntryCaminhos para a espiritualidade, parte IVOct 7, '07 12:26 AM
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Uma mente muito inquieta pelas turbulências do dia, uma discussão interessante na Página da Pietra e uma tarefa me trazem de volta, para contar a parte desses caminhos mais próxima ao estágio em que me encontro

Tudo começou quando, na última semana de aula no penúltimo ano de CEFAM, recebemos a notícia de que começaria um novo projeto na escola no ano seguinte: O Círculos de Leitura que, na época, era muito, muito mais modesto do que hoje em dia. O que me interessou logo de cara foi a promessa de que o terceiro livro que seria lido e discutido seria "O Banquete", de Platão. Era uma boa oportunidade  de aumentar os meus conhecimentos. Mas não imaginei que fosse me interessar e envolver tanto.
As discussões eram profundas e me satisfaziam. O tipo de contato proposto com os livros lidos e com a poesia despertavam coisas em mim que eu não sabia nomear. E aquilo tudo me inspirava na escrita e na vida. Havia um sentimento misterioso e muito sutil em jogo, que em muito me alegrava.
Rapidamente me destaquei no projeto - pelos tipos de pensamento que mobilizava, pela carga de leituras que eu tinha antes, pelas poesias que eu comecei a decorar... Eu não era uma figura destacada, várias pessoas emergiam, como pares, cada um como uma flor diferente de um rico jardim. Dentre essas pessoas, superficial ou profundamente, já conhecia praticamente todas; mas foi a que menos conhecia que se tornou o meu companheiro de descobertas, debates e sonhos pelos três anos seguintes: O Chico, que alguns dos que estão lendo aqui provavelmente conhecem.
E nossa primeira coisa compartilhada foi estudar, conjuntamente, a obra de JRR Tolkien. Ler muito, e discutir muito. Por acaso ele tinha "O Hobbit" e foi comprando, ao longo do primeiro semestre daquele ano, as demais obras de Tolkien, e passamos a viver, juntos, um pouco dentro delas.
JRR Tolkien, esse cristão fervoroso, foi uma das pessoas mais importantes para a redescoberta de meu caminho espiritual. Se não foi a mais importante de todas.
E foi empolgante quando ele me ligou nas férias para dizer que tinha comprado O Silmarillion e que ele tinha certeza que eu ia adorar, pois falava de muitos, muitos elfos, e eu adorava elfos. Peguei prá ler, me encantei muito, um tempo depois comprei um para mim para poder fazer anotações... o Silma se tornou minha, nossa Bíblia, por um tempo. E essa expressão, por mais que seja uma brincadeira normal dos Tolkendilli (fãs de Tolkien) foi um pouco verdade para mim. Pois estava vendo e vivenciando uma cosmogonia neopagã novamente, e, mesmo que fosse uma cosmogonia inventada de um mundo inventado, aquilo tudo parecia tão crível... Poderia mesmo ter acontecido em uma realidade paralela, como as histórias que eu escrevia quando estava na sexta série... Estavamos realmente fanáticos por tudo o que se relacionasse à Terra-Média.
O ano de 2003 chegou, entrei na faculdade, comecei a trabalhar no Círculos de Leitura, que realizava sua primeira expansão, junto com o Chico e muitos outros que haviam sido do meu grupo. Vivia um tempo próspero, de realização de sonhos, e tudo isso se gestava em mim. Passou com uma deliciosa leveza.
Para chegar 2004, e, logo no dia 3  de Janeiro, eu tomar coragem e ir, pela primeira vez a um encontro da Toca São Paulo, a sede paulistana do Conselho Branco - Sociedade Tolkien - e começar a conhecer pessoas que são parte muito importante dessa história.
Foi na Toca que conheci, pela primeira vez,  e pessoalmente, pessoas que realmente praticavam o neopaganismo. E foi com eles que comecei, um ano depois. E foi lá que conheci o Chronos, e nunca podia imaginar que aquele carinha tão nulo, com quem mal falei no primeiro ano-e-meio de convivência, ia se casar comigo.
Quando as aulas começaram, tantas coisas novas já tinham acontecido . Estava muito feliz, e, naquele semestre, faria História Medieval! Mas eu, que esperava ouvir da cultura medieval, e do feudalismo, e etc., peguei um professor maravilhoso - o Flávio de Campos - mas que ia se focar em um tema que, para mim, ainda era bem indigesto - a história do cristianismo. Aquilo se engasgou na minha garganta, e disse a mim mesma "ok, vou ter que passar o semestre inteiro estudando isso. Então, vamos tentar tornar as coisas mais leves." E peguei para ler um dos livros que comprara no final do ano anterior, na mega feira que sempre tem na usp com descontos muito bons: "Isto és tu: Redimensionando a Metáfora Religiosa", de Joseph Campbell.
Já havia lido, então, um pedaço d' "O Poder do Mito", e Campbell me encantava muito. Principalmente por que ele havia escrito sobre algo que havia percebido ainda na meninice: Que as mitologias tinham muito em comum umas com as outras - percepção essa que me levou, pela primeira vez, à idéia de cursar História.
O livro do Campbell casou muito bem com as aulas do Flávio, que explicavam a origem da Igreja e do pensamento cristão como o conhecemos, para, através da compreensão racional, ir quebrando  as barreiras ao pensamento cristão que eu tinha me imposto devido às màs experiências do passado. E a conjunção dessas coisas todas foi reacendendo em mim, bem lentamente, um desejo pelo espiritual.
E foi no início do ano seguinte que dei o primeiro passo. Já tinha uma amizade considerável por alguns neopagãos da Toca, e, conversando no MSN no meio do expediente, a Vaire me disse que naquela noite iria à celebração de Briganthia na Hera Mágica. Já havia ido na Hera umas duas vezes, para palestras sobre Tolkien e Rei Arthur do Claudio Quintino. De impulso, decidi ir junto.
Senti muita coisa ao som daqueles tambores, e o que mais me animava era que aquela era uma espiritualidade que compreendia o que eu sentia quando eu declamava um poema, ou lia algo que me encantava. E mais, valorizava esse tipo de sentimento. O pessoal do lado druídico da coisa tem até nome para isso: Awen, o espírito que flui. E, desde esse princípio, eu sempre tive uma relação com o druidismo, embora esse não seja meu caminho principal.
Na celebração seguinte, pela roda do ano, comecei a ir, como visitante, no grupo no qual o pessoal celebrava junto. As práticas eram mistas, com tendências, mas não declaradamente, wiccanas. Acabei entrando para ele, no meio do ano. Mas o grupo estava se desfazendo, pois a maior parte dos participantes estava sendo chamado para caminhos mais específicos. A parte do grupo que se manteve realmente coeso foi a metade dele que resolveu estudar druidismo. Me mantive com essa parte do grupo, já sabendo que o druidismo não era meu caminho, pois ainda não me sentia experiente o suficiente para trilhar as coisas mais independentes. Tudo foi vindo com experiências fortes, mas com tempo de assimilação entre elas, durante meu primeiro ano de celebrações, mas a partir daí as coisas se tornaram mais intensas, e o caminho cada vez mais claro.
Hoje estou aqui, tendo passado por muita coisa, sem nunca ter sido formalmente inciada, sentada de madrugada escrevendo esse texto para aprender a terminar o que começo. Hoje tenho autonomia e confiança na maioria das minhas práticas. Sei me defender e já precisei disso. Leio I-ching, estou engatinhando no tarô. Se alguém me pergunta qual é a minha religião respondo que culuto os deuses da Grécia. Se é alguém que está preparado para saber, digo mais. Honro meus deuses a cada dia, e alguns deles são seres bem próximos de mim. Aprendi a colocar as dúvidas no lugar certo, o primeiro passo para ter um coração forte. Sou casada com um praticante do druidismo, e a diversidade cultural, coisa que parece tão distante para a maioria das pessoas, é cotidiana aqui em casa.
Mas a minha vida não é um mar de rosas. Seguir uma religião como a minha não é fácil. Demanda muito esforço, dedicação, disciplina. Passei por maus bocados por chegar onde estou, e sei que vou passar sempre por eles. Aprendi mesmo a ver a vida como uma sucessão de desequilíbrios. É tudo muito mais difícil do que eu imaginava ao começar.  Aquiles diz a Ulisses no Hades, que poderia ter se contentado em ser um simples  pastor, e ter sido mais feliz, e ter  vida longa.  Eu poderia ter uma vida bem menos complicada sem isso, e talvez fosse mais feliz mesmo. Mas não me arrependo. Pois estou aprendendo a conhecer meu espírito. E esse é o verdadeiro objetivo de uma vida, segundo a minha sabedoria de criança da sexta série...

LinkTao Te ChingDec 16, '06 8:05 AM
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Link: http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/humanas/religiaoetc/tao_te_chi...

Por tudo o que eu tenho estudado e ouvido sobre o idioma chinês, estou cada vez mais convencida da impossibilidade de traduzir algo do chinês para o português, pois os sistemas de pensamento são tão diferentes que as linguagens não os alcançam. Toda tradução do chinês é uma adaptação, o que é bem diferente da tradução de outras línguas, cuja perda de sentido é bem menor.
Bem, anyway, o que temos nesse link é um PDF, do Tao Te Ching, uma das principais obras antigas do taoísmo, se não a principal. Acredito que, mesmo com essas limitações, vale tentar ler!

Blog EntryHagalaz Runedance- Frigga's web - TraduçãoDec 12, '06 8:18 PM
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(letra original tirada de http://hagalaz-runedance.letras.terra.com.br/letras/552151/)

Frigga's Web

Silence before the storm
I reach the house hidden by the night

A light I saw I knocked all quietly
I entered; a woman sat by the spinning wheel

"What brings you here my child", she asked?
"Don't you know our lady keeps her secrets well?"

It's my life I am running from
It's my fate I am hiding from,
oh, would the Goddess speak to me?

Her ways I don't understand, the mysteries that I must know,
Oh, would the Mother see through me?

"Why don't you rest my child", she said, "I will seek her advice, I will wake you when it's time"

All night by the spinning wheel, she sang an ancient tune and in the morn' her work was done

In the distance I heard a call, I awoke and I held the spindle in my hand

My other hand it held new life, the Goddess had been by my side and her blessings was mine.

A Teia de Frigga

Silêncio antes da tempestade
Eu encontro a casa oculta pela noite.

Uma luz eu vi, bati na porta, tudo em silêncio.
Entrei; uma mulher sentada na roca de fiar

"O que o traz aqui, minha criança?", ela perguntou
"Não sabe que nossa senhora guarda muito bem os segredos dela?"

É de minha vida que estou fugindo
É de meu destino que me oculto,
oh, poderia a Deusa falar comigo?

Os caminhos dela, eu não entendo, os mistérios que eu devo saber,
Oh, poderia a Mãe saber minhas intenções?

"Porque você não descança, minha criança?", ela disse, "Procurarei os conselhos dela, e te acordarei quando chegar o tempo."

Toda a noite trabalhando na roca, ela cantava uma melodia ancestral, e de manhã o trabalho estava pronto.

À distância, eu ouvi um chamado. Acordei, e eu segurava o fuso em minha mão

Minha outra mão trazia uma nova vida, a Deusa esteve ao meu lado e suas bênçãos eram minhas.

Blog Entryinício de 2006 com um adendo à "jornada"Jan 9, '06 6:31 AM
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"Não terá sido a morte o primeiro navegador? Muito antes que os vivos confiassem eles próprios às àguas, não terão colocado o ataúde no mar, na torrente? O ataúde, nesta hipótese mitológica, não seria a última barca. Seria a primeira barca. A morte não seria a última viagem. Seria a primeira viagem.
.......
Para enfrentar a navegação é preciso que haja interesses poderosos. Ora, os verdadeiros interesses poderosos são os interesses quiméricos. (...) O herói do mar é um herói da morte. O primeiro marujo é o primeiro homem vivo que foi tão corajoso quanto um morto.
......
A morte é uma viagem e a viagem é uma morte. "Partir é morrer um pouco." Morrer é verdadeiramente partir, só se parte bem, corajosamente, nitidamente, quando se segue o fluir da água, a corrente do largo rio. Todos os rios desembocam no rio dos mortos.
......
Assim, o adeus a beira-mar é simultaneamente o mais dilacerante e o mais literário dos adeuses. Sua poesia explora um velho fundo de sonho e de heroísmo."

BACHELARD, G. A água e os sonhos - Ensaio sobre a imaginação da Matéria. São Paulo, Martins Fontes, 1997, p 75-77.

"O folclore, as lendas, os mitos e os contos de fadas
acompanham a infância através dos tempos, pois toda a
criança saudável adora histórias fantásticas e
manifestamente irreais. As fadas aladas de Grimm e
Andersen trouxeram mais felicidade aos corações
infantis que qualquer outra criação humana
Entretanto, os antigos contos de fadas podem ser
considerados hoje como "históricos" na biblioteca das
crianças, pois chegou a época de uma nova série de
"contos maravilhosos" em que gênios, anões e fadas
estereotipados são eliminados, junto com as aventuras
de gelar o sangue criadas por seus autores para
sublinhar uma moral terrível para cada conto. A
educação moderna inclui a moralidade, portanto, a
criança busca somente o divertimento em seus contos
fantásticos e dispensa todos os incidentes
desagradáveis.
Mantendo este pensamento em mente, a história do
"maravilhoso Mágico de Oz" foi escrita unicamente para
agraar as crianças de hoje. Pretende ser um conto de
fadas modernizado, em que o encanto e a alegria são
mantidos, enquanto os sofrimentos e pesadelos são
deixados de fora.

L.Frank Baum
Chicago, Abril de 1900."

in: O Mágico de Oz, Porto Alegre, L&PM, 2001.

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