Flores Sendo - Blog da Lórien

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Blog EntryPlease Mr. PostmanJan 22, '08 5:25 PM
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Há alguns meses esperava por uma determinada correspondência. Era uma carta importante, que eu sabia que, mais dia, menos dia, ia chegar. E ela chegou, carta registrada, semana passada. Quando o carteiro tocou a campainha, no entanto, nem pensei que pudesse ser ela. E, quando vi o remetente, soube que era a carta que eu esperava. Eu não sabia se ria, se chorava, que divindade deveria agradecer primeiro, se eu dava um abraço no carteiro... preferi me conter a abrir a carta primeiro.
Ela não trazia exatamente o conteúdo que eu esperava, mas ainda assim eram notícias valorosas. No dia seguinte, quando vi um carteiro ao longe, abri aquele sorriso. E não pude me conter de cantar a velha canção, que me é tão cara, na qual uma moça espera notícias de seu namorado que está tão longe (e eu nunca consegui imaginar outro lugar onde ele pudesse estar senão a Guerra do Vietnã). Canção criada por um grupo que ninguém conhece hoje em dia, reinterpretada pelos Beatles e pelos Carpenters.
E, depois desse dia, tenho visto tantos carteiros...Toda vez que saio encontro pelo menos um. Ao sair dessa tarde foram três, entre a minha casa e o ponto onde deveria pegar ônibus, fora o que eu já tinha visto de manhã. E não é simplesmente uma questão de entregas de cartas: Vejo carteiros vindo entregar sedex e outras encomendas, quer de manhã, quer de tarde. Até carteiro correndo prá pegar ônibus eu andei vendo.
O primeiro dos que ví à tarde foi logo após ter dito o nome de Hermes, o mensageiro dos deuses. E, de alguma forma, ligo a proliferação de carteiros no meu bairro à presença dele. Ligo essa boa nova, que me chegou depois de meses de espera, com uma das últimas conversas que tive com ele, com todas as preces de agradecimento, com todas as oferendas e libações que já lhe fiz. Hermes é um deus que eu tenho em alta conta. Que tenho admirado há muito tempo. É um deus que gosta de rir da nossa cara de vez em quando, e atrasar as coisas quando esquecemos dele um pouco, mas que sempre me traz muitos desafios, muito aprendizado, e muitos pequenos e grandes milagres.
Hoje não pude deixar de saudá-lo. Ele se fez presente no múndo físico, assim como Apolo se fez presente no mundo onírico... Estou extremamente feliz, e esperançosa.

Blog EntryPanteões diferentes convivendo juntos?Jan 10, '08 11:04 AM
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Saudações!

Um post da Inês causou polêmica sobre a mistura de deuses de panteões diferentes. Eu já resvalei na minha opinião sobre o assunto neste e neste (também polêmico) escrito, mas nunca cheguei a dar uma opinião mais direcionada e profunda. Então, aí vai:

Em princípio, eu não aprendi nada com ninguém que siga, ou tenha seguido, o mesmo caminho que o meu. Li sobre o meu caminho, mas o aprendizado prático e/ou de convívio físico, foi todo com pessoas que seguem caminhos diferentes, e eu agradeço muito essas pessoas,e honro o jeito que fui, intencionalmente ou não, ensinada (pois a maioria dos que nos ensinam não têm a meta explícita de nos ensinar; eles estão vivendo a vida deles, e acabamos aprendendo com seus exemplos). Isso por sí só seria motivo para mim honrar, pelo menos, os quatro festivais celtas.
E, bem... Eu sou casada com outro neopagão, mas que não segue a mesma linha que eu. O Chronos pratica o druidismo, e eu cultuo os deuses da Grécia. É impossível para mim ignorar a existência do altar dele como a pimeira coisa que olhamos quando acordamos de manhã, assim como é impossível para ele que o meu altar para Héstia não seja a primeira coisa que ele olhe ao chegar em casa.
Há quem diga, mesmo entre praticantes extremamente sérios e conceituados do druidismo que é possível praticar o druidismo honrando deuses de outros panteões. Mas essa NÃO é a minha opinião. Eu já estudei um pouco de druidismo (nem metade do que eu gostaria), mas nunca vai ser o meu caminho. Não funciona assim comigo, apesar de eu usar muitas influências do druidismo nas minhas práticas.
Isso porque os meus deuses têm outras demandas. Meu conceito de ritual é muito mais solene, exige preparações e práticas que não necessáriamente são necessárias no druidismo. Ao mesmo tempo tem coisas importantes lá que não são importantes para mim. Então uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
No entanto, isso continua não impedindo em nada que eu celebre com o Chronos e outras pessoas que conheço que seguem o druidismo, nem que o Chronos ou quem quer que seja celebre os meus deuses comigo, mesmo se guiando por panteões diferentes. Inclusive, dependendo do caso, dentro de uma mesma celebração.
Só é importante distinguir uma coisa da outra. Perante os celtas, ou os nórdicos, ou os deuses afro-brasileiros (nunca assisti um ritual a eles, mas morro de vontade!), eu sempre me sentirei uma estrangeira, e me portarei como minha cultura diz que um estrangeiro deve portar-se: Respeitando os costumes de quem hospeda, sem jamais desprezar a hospitalidade, mas também sem trair meus preceitos.
Se para mim realizar um ritual exige preparações de purificação, não iria para qualquer ritual sem preparo, mesmo que para a religião "do outro" isso não seja necessário porque (como alguém disse em um reply a um dos posts que mencionei lá em cima) para ela tudo é rito. Para mim os deuses estão em todos os momentos de nossas vidas, e em todos eles lhes glorifico, mas existem momentos mais especiais, que são as celebrações, e  essas festas para os deuses  exigem cuidados muito especiais. Se eu não me apresentaria suja em uma festa dedicada aos deuses a que honro, não seria um desrespeito fazer isso perante os deuses honrados pelos meus amigos?
Sempre ao ir a algum ritual de outra cultura, me purifico como se fosse honrar aos meus próprios deuses, e, antes de sair, faço uma prece, avisando que estarei como estrangeira em terras de amigos (e nada mais familiar aos gregos que viajar, que ser estrangeiro e receber o estrangeiro - aliás, muitos de nossos deuses não são, em origem gregos, mas foram trazidos para o que se chama de Grécia Antiga, e assimilados e adaptados por essas populações), e reafirmo que não estou abandonando nada por estar ali. Desde que peguei esse jeito de me comportar, nunca mais tive problemas com o temido (e pesadíssimo) choque de egrégora, e conhecer o estrangeiro só me ajudou e acrescentou.
Quando celebramos de modo misto, seguimos tudo o que é necessário em ambos os modos de celebrar: Eu faço libações e oferendas como meu costume, e o Chronos, que é quem em geral celebra comigo de modo misto, conduz as preces necessárias pelo costume dele. E vamos indo bem assim, sem perder em profundidade, e sem se desrespeitar.

Uma coisa que gosto de lembrar sobre esse assunto é que, para muitos dos modos de se cultuar os deuses da Grécia, mesmo deuses do nosso panteão são inconciliáveis. Já lí várias vezes pela Internet que se deve cultuar apenas os deuses do Olimpo, e que esse negócio de mecher com Titãs ou divindades pré-olímpicas no geral não dá certo, pois "as cargas deles são muito pesadas para que os humanos suportem", e coisas assim. Nem sempre tão nitidamente, mas eu mesma tenho separado: Ou faço um ritual aos olímpicos, ou celebro os titãs e os espíritos da natureza. Mas ainda estou estudando mais, para resolver esse problema na minha mente, pois ainda não sei se preciso, ou não, seguir essa ortodoxia. E mesmo para quem cultua só um panteão, tem aqueles deuses que vemos todo dia, outros em ocasiões especiais...
Vejo tantos problemas em pessoas que misturam panteões quanto os que vejo naquelas que não se informam sobre as individualidades de cada deus, mesmo que cultuando dentro de um único panteão, ou se contentam com informações superficiais. Nada contra alguém que cultue deuses de mais de um panteão, respeitando as particularidades de cada deus e sabendo separar as coisas quando a separação é necessária.

E, se assim não fosse, que direito teríamos de cultuar deuses que não são de nossas terras, sendo que todas as "mitologias" eram geograficamente localizadas? Assim, acho que precisamos tentar não tomar posturas radicais contrárias a determinadas práticas, sem checar a possibilidade de aprofundar nelas antes. O que deve ser criticado, e combatido, e lembrado como exemplo para não fazer, é a superficialidade e o desleixo de certas práticas, o desrespeito às particularidades de cada deus e de cada cultura, e a prática de coisas sérias como se fossem brincadeiras, sem o preparo e o estudo necessário. Como disse o Chronos ontem, "nesse ramo, pior que o mal intencionado só o mal informado".

...ou ainda, como atrair público.

Saudações!

Vou escrever sobre um tema que tem me incomodado bastante desde o ano passado: Que nome pessoas dão para seus trabalhos no ramo da espiritualidade, e quem eles visam atrair com esses nomes?

Vamos começar com alguns pequenos exemplos:

"ATRAIA A PESSOA AMADA - Como a abelha para o mel, em curtíssimo tempo..."
"ALTA MAGIA - Trago seu amor aos seus pés por mais impossível que seja. Pagamento após resultado."
"VIDENTE DO AMOR - Tarô, Buzios, faz e desfaz trabalhos"
"MAGIAS E RITUAIS DE AMOR PARA 2008! (...) Amuletos de Amor (magia com cristais e ervas) para o final e inicio de ano "
"PAI GALO - Faz a pessoa amada voltar em 7 dias - Trabalhos Grátis - Marque sua consulta e ganhe o talismâ do amor"
"AMOR E MAGIA (...) Trago seu amor aos seus pés apaixonado. Por mais difícil que seja em 24 horas. Facilitamos o pagamento e aceitamos cartão de crédito"
"SIMPATIA INFALÍVEL - Trago o seu amor em seis horas"

Aparentemente o público alvo desses anúncios é o mesmo, certo? Aparentemente, esses anúncios poderiam ter sido feitos no mesmo lugar, certo? Todos eles, menos um, foram, de fato, retirados do Metrô News do dia 14. Um, entretanto, é um excerto de um e-mail que recebo de um lugar bastante conceituado, buscando público para um Workshop, e o assunto do e-mail está copiado na íntegra, em maiúsculas.
Dependendo do modo como você anuncia o que está vendendo, você atrai um público diferente. Esses anúncios de jornal estão todos visando um público que acredita que é possível fazer magia, mas que têm a necesidade de um profissional eficiente para que ela seja eficaz.

Acontece que esse Workshop é mais profundo que esses anuncios de jornal. Copio uma parte maior do corpo do e-mail:

Conteúdo:

  • Ritual de Purificação do Coração - Deixando o Passado no passado e preparação para um Futuro Brilhante

  • Ritual de Florescimento: A Renovação e O Desabrochar da Rosa Interior - Vencendo o medo de amar e ser amada

  • Banhos e Poções de Afrodite
    Amuletos de Amor (magia com cristais e ervas) para o final e inicio de ano
    Simbologia do Amor

  • Dança de Afrodite - A Libertação do Ventre Sagrado e a Sensualidade latente

    • Oração e Meditação para o Crescimento do Auto-Amor (Auto-estima)
Pelo corpo, um público um pouco mais instruído poderia se interessar (eu iria em um curso desses se tivesse dinheiro), mas me pergunto quantas dessas pessoas, na pressa, abririam um e-mail com esse título. Talvez seja chatície única e exclusivamente minha (e vcs tem todo o espaço dos comentários para concordar e/ou discordar), mas eu desconfio muitíssimo dessas coisas com títulos muito espalhafatosos.
A questão é que, por trás desses títulos, às vezes coisas interessantes acabam escondidas.O próprio livro de numerologia que eu estou lendo é um exemplo disso. Pelo nome, e pela capa, achava que seria muito fraquinho, e eu estou curtindo muito (postei um pouco sobre ele aqui).
Eu desconfio de tudo o que venha da Rádio Mundial, por exemplo, mas sei que é um preconceito meu que, por causa da minha mãe, ouvia aquilo antes de começar a acreditar em muita coisa, e achava tudo aquilo um absurdo. Mas e se eu tivesse de falar de tudo o que eu vi? Não pareceria tão abobado e superficial quanto tantas coisas que ouvi lá?
Compartilhar experiências sobre o outro mundo não é nada, nada fácil. E é provavelmente por causa desse meu horrror a esse tipo de sensacionalismo que eu sou tão fechada para falar abertamente das coisas que faço, e, principalmente, das que vejo.


Category:Books
Genre: Other
Author:McCANTS, Glynis
A numerologia nunca foi uma das áreas do oculto que mais me interessou. Entretanto, por umas e outras razões precisei ir pesquisar um pouco. E, na biblioteca da minha mãe, encontrei esse livro, que é um daqueles que não se deve julgar pela capa, pois é menos superficial do que parece, e acabou superando minhas expectativas. Em geral, os livros da ARX que eu li não são ruins, by the way.
É um livro introdutório, bqastante feliz em suas colocações. E, por não colocar as coisas de modo rígido, mas a partir de suas aplicações, aquilo vai aumentando a vontade de saber e de pesquisar. É divertido ficar calculando com nomes e datas de nascimento de pessoas próximas, e vendo os resultados que você obtém. Vou zapeando pelo livro, pois um assunto vai puxando o outro, ao invés de ler linearmente. E, depois de um pouco de leitura estou eufórica pelo tanto que aprendi, e em como desejo compartilhar aquele aprendizado!

Nesse mês tão difícil e pesado, nada melhor do que encontrar alívio e contentamento...

Blog EntryDesrespeitando a própria religiãoOct 7, '07 12:49 PM
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Ontem aconteceu uma coisa que me deixou frustrada, e com um sentimento muito ruim.

Bem, na verdade não começou ontem, mas quinta, quando eu cheguei cansada e preocupada com meu trabalho de História dos Estados Unidos, para entregar a proposta em duas semanas, sendo que eu nem tinha definido o tema. Mas aparentemente ia ter o sábado mais ou menos livre, e, com algum esforço, seria fácil lidar com isso.
Meu marido me avisou, então, que haviamos sido convidados para um sarau por uma amiga dele. Ia ser com um pessoal que pratica o druidismo, com alguns afetos e alguns desafetos dessa pessoa que vos fala. Coisa que eu tento levar ao máximo numa boa, cansada de atritos e tentando uma "política conciliatória".

De qualquer maneira, não costumo recusar convites a saraus. Sinto falta da época onde tinha pelo menos um deles para ir por semana. Já começa a ficar difícil lembrar algumas das poesias que eu tenho de cor. Eu ia dar um jeito de ir.
Dei, e fui com ele, na maior alegria.  Chegamos lá, encontramos o pessoal, começamos a conversar. E, papo vai, papo vem, algumas pessoas começam a chamar o encontro de "ritual", e a coisa foi se tornando meio estranha. Resolvemos perguntar. "É, parece que vai ter um ritual", diz alguém. Vamos diretamente a quem nos convidou, perguntar o que ia realmente acontecer. Ela simplesmente havia esquecido de avisar que era um ritual. Ritual a quem, ou prá que? Eu já estava irritada demais prá perguntar.

As pessoas estão cansadas de saber que eu não sigo o druidismo. As pessoas estão cansadas de saber que eu participo e gosto de rituais de outras linhas, mas se eu não me preparar antes de sair de casa eu sinto choque de egrégora. Mais do que isso, pelo meu jeito de lidar com deuses e celebrações é definitivamente impensável celebrar a qualquer coisa sem um bom banho com a intenção de purificação para o ritual antes. Eu tinha tomado um banho, mas não era a mesma coisa.

Eu simplesmente não podia ficar. Tinha ido para lá à toa. Fui ficando com mais e mais raiva, pensando na minha roupa não lavada, no meu trabalho não feito... Para ficar sentada sozinha no Jardim Botânico, enquanto os outros se divertiam.

Mais do que isso. Como alguém vai a um ritual e se esquece do fato? Como alguém convida outras pessoas para algo tão sagrado com tanta displicência? No fundo, eu fui percebendo, ela não estava desrespeitando a mim e ao meu marido. Estava desrespeitando aos deuses dela, e a ela própria. Não foi uma iniciante que fez isso. Eu ainda nem sonhava em saber o que é neo-paganismo quando ela começou a estudar. E é uma pessoa iniciada em mega-ultra-plus trecos, supostamente graduada para ensinar os outros. Como uma pessoa estuda tanto para continuar tão tola, fraca e desrespeitosa?

Ela só podia ter feito isso de caso pensado. Para eu ser forçada a me isolar e as pessoas ficarem apontando o dedo para mim e dizendo "olha lá aquela criança bobona e anti-social que não sabe lidar com os outros e não quer participar de novo. Quando ela vai crescer? Aquela alí não aguenta o tranco, vive à sombra do marido e só está arrunando a vida dele, na verdade nem quer nada com neo-paganismo nenhum", como já disseram tantas e tantas vezes. Era muito difícil acreditar em outra explicação vinda de alguém como ela.

Chrorei mesmo. E de montão. De berrar, espernear, alí, sozinha. Não podia acreditar que uma pessoa mesquinha como aquela é modelo para pessoas que eu confio e amo, é celebrada como representante de uma religião tão legal quanto o druidismo. Como alguém em uma posição como a dela podia fazer tão pouco caso de si mesma?

Blog EntryCaminhos para a espiritualidade, parte IVOct 7, '07 12:26 AM
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Uma mente muito inquieta pelas turbulências do dia, uma discussão interessante na Página da Pietra e uma tarefa me trazem de volta, para contar a parte desses caminhos mais próxima ao estágio em que me encontro

Tudo começou quando, na última semana de aula no penúltimo ano de CEFAM, recebemos a notícia de que começaria um novo projeto na escola no ano seguinte: O Círculos de Leitura que, na época, era muito, muito mais modesto do que hoje em dia. O que me interessou logo de cara foi a promessa de que o terceiro livro que seria lido e discutido seria "O Banquete", de Platão. Era uma boa oportunidade  de aumentar os meus conhecimentos. Mas não imaginei que fosse me interessar e envolver tanto.
As discussões eram profundas e me satisfaziam. O tipo de contato proposto com os livros lidos e com a poesia despertavam coisas em mim que eu não sabia nomear. E aquilo tudo me inspirava na escrita e na vida. Havia um sentimento misterioso e muito sutil em jogo, que em muito me alegrava.
Rapidamente me destaquei no projeto - pelos tipos de pensamento que mobilizava, pela carga de leituras que eu tinha antes, pelas poesias que eu comecei a decorar... Eu não era uma figura destacada, várias pessoas emergiam, como pares, cada um como uma flor diferente de um rico jardim. Dentre essas pessoas, superficial ou profundamente, já conhecia praticamente todas; mas foi a que menos conhecia que se tornou o meu companheiro de descobertas, debates e sonhos pelos três anos seguintes: O Chico, que alguns dos que estão lendo aqui provavelmente conhecem.
E nossa primeira coisa compartilhada foi estudar, conjuntamente, a obra de JRR Tolkien. Ler muito, e discutir muito. Por acaso ele tinha "O Hobbit" e foi comprando, ao longo do primeiro semestre daquele ano, as demais obras de Tolkien, e passamos a viver, juntos, um pouco dentro delas.
JRR Tolkien, esse cristão fervoroso, foi uma das pessoas mais importantes para a redescoberta de meu caminho espiritual. Se não foi a mais importante de todas.
E foi empolgante quando ele me ligou nas férias para dizer que tinha comprado O Silmarillion e que ele tinha certeza que eu ia adorar, pois falava de muitos, muitos elfos, e eu adorava elfos. Peguei prá ler, me encantei muito, um tempo depois comprei um para mim para poder fazer anotações... o Silma se tornou minha, nossa Bíblia, por um tempo. E essa expressão, por mais que seja uma brincadeira normal dos Tolkendilli (fãs de Tolkien) foi um pouco verdade para mim. Pois estava vendo e vivenciando uma cosmogonia neopagã novamente, e, mesmo que fosse uma cosmogonia inventada de um mundo inventado, aquilo tudo parecia tão crível... Poderia mesmo ter acontecido em uma realidade paralela, como as histórias que eu escrevia quando estava na sexta série... Estavamos realmente fanáticos por tudo o que se relacionasse à Terra-Média.
O ano de 2003 chegou, entrei na faculdade, comecei a trabalhar no Círculos de Leitura, que realizava sua primeira expansão, junto com o Chico e muitos outros que haviam sido do meu grupo. Vivia um tempo próspero, de realização de sonhos, e tudo isso se gestava em mim. Passou com uma deliciosa leveza.
Para chegar 2004, e, logo no dia 3  de Janeiro, eu tomar coragem e ir, pela primeira vez a um encontro da Toca São Paulo, a sede paulistana do Conselho Branco - Sociedade Tolkien - e começar a conhecer pessoas que são parte muito importante dessa história.
Foi na Toca que conheci, pela primeira vez,  e pessoalmente, pessoas que realmente praticavam o neopaganismo. E foi com eles que comecei, um ano depois. E foi lá que conheci o Chronos, e nunca podia imaginar que aquele carinha tão nulo, com quem mal falei no primeiro ano-e-meio de convivência, ia se casar comigo.
Quando as aulas começaram, tantas coisas novas já tinham acontecido . Estava muito feliz, e, naquele semestre, faria História Medieval! Mas eu, que esperava ouvir da cultura medieval, e do feudalismo, e etc., peguei um professor maravilhoso - o Flávio de Campos - mas que ia se focar em um tema que, para mim, ainda era bem indigesto - a história do cristianismo. Aquilo se engasgou na minha garganta, e disse a mim mesma "ok, vou ter que passar o semestre inteiro estudando isso. Então, vamos tentar tornar as coisas mais leves." E peguei para ler um dos livros que comprara no final do ano anterior, na mega feira que sempre tem na usp com descontos muito bons: "Isto és tu: Redimensionando a Metáfora Religiosa", de Joseph Campbell.
Já havia lido, então, um pedaço d' "O Poder do Mito", e Campbell me encantava muito. Principalmente por que ele havia escrito sobre algo que havia percebido ainda na meninice: Que as mitologias tinham muito em comum umas com as outras - percepção essa que me levou, pela primeira vez, à idéia de cursar História.
O livro do Campbell casou muito bem com as aulas do Flávio, que explicavam a origem da Igreja e do pensamento cristão como o conhecemos, para, através da compreensão racional, ir quebrando  as barreiras ao pensamento cristão que eu tinha me imposto devido às màs experiências do passado. E a conjunção dessas coisas todas foi reacendendo em mim, bem lentamente, um desejo pelo espiritual.
E foi no início do ano seguinte que dei o primeiro passo. Já tinha uma amizade considerável por alguns neopagãos da Toca, e, conversando no MSN no meio do expediente, a Vaire me disse que naquela noite iria à celebração de Briganthia na Hera Mágica. Já havia ido na Hera umas duas vezes, para palestras sobre Tolkien e Rei Arthur do Claudio Quintino. De impulso, decidi ir junto.
Senti muita coisa ao som daqueles tambores, e o que mais me animava era que aquela era uma espiritualidade que compreendia o que eu sentia quando eu declamava um poema, ou lia algo que me encantava. E mais, valorizava esse tipo de sentimento. O pessoal do lado druídico da coisa tem até nome para isso: Awen, o espírito que flui. E, desde esse princípio, eu sempre tive uma relação com o druidismo, embora esse não seja meu caminho principal.
Na celebração seguinte, pela roda do ano, comecei a ir, como visitante, no grupo no qual o pessoal celebrava junto. As práticas eram mistas, com tendências, mas não declaradamente, wiccanas. Acabei entrando para ele, no meio do ano. Mas o grupo estava se desfazendo, pois a maior parte dos participantes estava sendo chamado para caminhos mais específicos. A parte do grupo que se manteve realmente coeso foi a metade dele que resolveu estudar druidismo. Me mantive com essa parte do grupo, já sabendo que o druidismo não era meu caminho, pois ainda não me sentia experiente o suficiente para trilhar as coisas mais independentes. Tudo foi vindo com experiências fortes, mas com tempo de assimilação entre elas, durante meu primeiro ano de celebrações, mas a partir daí as coisas se tornaram mais intensas, e o caminho cada vez mais claro.
Hoje estou aqui, tendo passado por muita coisa, sem nunca ter sido formalmente inciada, sentada de madrugada escrevendo esse texto para aprender a terminar o que começo. Hoje tenho autonomia e confiança na maioria das minhas práticas. Sei me defender e já precisei disso. Leio I-ching, estou engatinhando no tarô. Se alguém me pergunta qual é a minha religião respondo que culuto os deuses da Grécia. Se é alguém que está preparado para saber, digo mais. Honro meus deuses a cada dia, e alguns deles são seres bem próximos de mim. Aprendi a colocar as dúvidas no lugar certo, o primeiro passo para ter um coração forte. Sou casada com um praticante do druidismo, e a diversidade cultural, coisa que parece tão distante para a maioria das pessoas, é cotidiana aqui em casa.
Mas a minha vida não é um mar de rosas. Seguir uma religião como a minha não é fácil. Demanda muito esforço, dedicação, disciplina. Passei por maus bocados por chegar onde estou, e sei que vou passar sempre por eles. Aprendi mesmo a ver a vida como uma sucessão de desequilíbrios. É tudo muito mais difícil do que eu imaginava ao começar.  Aquiles diz a Ulisses no Hades, que poderia ter se contentado em ser um simples  pastor, e ter sido mais feliz, e ter  vida longa.  Eu poderia ter uma vida bem menos complicada sem isso, e talvez fosse mais feliz mesmo. Mas não me arrependo. Pois estou aprendendo a conhecer meu espírito. E esse é o verdadeiro objetivo de uma vida, segundo a minha sabedoria de criança da sexta série...

alguém sabe o que aconteceu com a coluna "receitas" que existia aqui no multiply? Bom, na falta dela, posto aqui mesmo!

Incenso para purificação com casca de eucalipto


A cada pedaço de casca, de eucalipto a ser utilizada, deve-se ralar metade e enterrar a outra metade.
Queimar esse pó num turibulo ou incensário junto com folhas de eucalipto e arruda, e pó ou pedaços de cravo e canela.

Alguns eucaliptos (não sei se todos) renovam sua casca externa a cada ano. Essa casca que as vezes é espessa ou fina, representa a renovação da planta, sua morte e renascimento.
Metade dessa casca deve ser enterrada em honra ao rito de renovação da terra e a outra ralada para fornecer o pó. Queimado junto com o Cravo que fornece a energia masculina, com a Canela que fornece a energia feminina, com o eucalipto que fornece a energia da terra e a arruda que limpa e purifica, pode ser utilizada para purificar ambientes.

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