Lorien's posts with tag: espiritualidade
Saudações!
Há alguns meses eu estou com uma coisa na cabeça, sem saber direito como executar, e um insight da semana passada, junto com os posts recentes da Pietra (sobre amizade na idade antiga) e da Iony (sobre algo que ela lia sobre deusas mães) me deram o feeling de que é tempo de começar. Eu preciso muito dividir o que estou aprendendo com o livro do Walter Friederich Otto, Os deuses da Grécia. E, por isso, estou fazendo uma coletânea de trechos de um determinado capítulo. Minha idéia é: Ir postando esses trechos, e, para provocar, colocar perguntas, idéias e opiniões minhas sobre eles. A galera lê, debate, e aprende. Para quem não sabe, eu já fui moderadora de grupos de estudo e leitura presenciais (no projeto Círculos de Leitura, do Instituto Fernand Braudel) e virtuais (eu era uma das pessoas que colaborava num chat semanal de discussão do Silmarillion no site Valinor, há muito tempo atrás, mas acabei deixando de lado quando comecei a namorar com o Chronos, hehehe), o que, hybris à parte, me faz desconfiar que, com participantes tão empolgados quanto eu, o grupo tem como dar um caldo bom. E aí? Quem topa? O que acham? Alguma modificação à idéia? Abraços Lórien
22 março 2008 Quando a alma se concentra em grandes assuntos, é decepcionante ter de atender aos pequenos afazeres cotidianos.
pois é Quiroga, pois é... Esse negócio de proximidade de rituais meche mesmo conosco...
Porém, você pode encará-los como um sinal de que seria melhor diminuir a velocidade, e por isso não haveria razão para se enfadar.
Heinh? Como? Onde? Por que? Não saquei...
Saudações! Estou para postar isso desde quinta, só agora consegui tempo! Como eu já expliquei num post láááá atrás, meu contato com o neo paganismo e eu ter conhecido o meu marido foram graças ao conselho branco, um fã-clube de JRR Tolkien, com uma proposta extremamente interessante: Dentre todos os que formam a Federação Tolkendili Brasileira, é o único que (a) se divide em núcleos regionais, para discussões ao vivo (a Valinor, por exemplo, é principalmente nacional, embora tenha os encontros) e (b) tem uma gestão democrática, com sistema de ouvidoria, e cargos eletivos. Isso fez com que eu me apaixonasse cada vez mais pelo CB, e logo o preferisse a todas as outras associações. E, assim que comecei a participar dos encontros da Toca, entrei de cabeça: eles estavam começando de um grupo de leitura e discussão, e eu me ofereci para ajudar, uma vez que, na época, eu trabalhava mediando desses grupos. Em pouco tempo a pessoa que tinha proposto o projeto se afastou, e eu me tornei a coordenadora desse grupo por um bom tempo. Depois, fui coordenadora cultural da sede regional (a tal Toca SP), e diretora nacional de comunicação. Tendo a oportunidade de ver a coisa um pouco mais por dentro, vamos percebendo que ela não é perfeita como imaginamos, mas, mesmo com as imperfeições, era um local onde eu me sentia em casa, onde eu fiz muitos amigos, e fui muito feliz. Até cerca de um ano e meio atrás, quando eu escolhi me afastar dos encontros nacionais, aparecendo de vez em quando prá matar a saudade dos amigos: Não gostava do jeito que a coisa estava sendo administrada pela pessoa que era a diretora regional. Nunca votei nela, mas, no início, estava muito disposta a colaborar e ajudar (a idéia de oficializar quatro picnics por ano, um a cada estação, por exemplo, foi minha, na primeira reunião de diretoria logo que ela assumiu). O primeiro mandato dela foi estilo Kassab: mostrou serviço mas fez absurdos. E desde a reeleição, há um ano atrás, tudo está errado: Ela é autoritária, trata mal sócios e pessoas da diretoria quando eles discordam dela, prefere varrer a sujeira prá baixo da porta ao invés de expô-la, etc. Iniciou-se o ano, veio o período eleitoral. Então, como eu não sou de ficar quieta com situações que me desagradam, me candidatei a um cargo, o que eu achei que poderia cumprir melhor, dada a minha disponibilidade atual. Assim, o que quer que acontecesse, jamais poderia dizer que não havia tentado. Não passou pela minha cabeça em momento nenhum a situação que se passou daí prá diante: Todos os cargos que tinham concorrentes - e eram só 4 - eram candidatos únicos. E, passados dois dias da campanha eleitoral, ninguém perguntou mais nada, ninguém deu idéias, sugestões, conselhos, nada. Uma chatície. Nunca tinha visto tanta pasmaceira numa eleição da Toca. Veio a Lua Nova, e tiramos cartas novas. Eu tirei um dez de espadas, e fiquei com um medo imenso do que poderia acontecer. A iconografia tradicional é um cara morto, com dez espadas fincadas no peito dele, e a afirmação mais comum sobre a carta é "você foi derrotado". Deu medo, principalmente porque o Chronos morre de medo das espadas (só no baralho mesmo :p). Mas. no fundo, não fazia o menor sentido para mim no período maravilhoso que estou vivendo. Outras interpretações da carta são: Se fazer de vítima ou se sentir a vítima do mundo, fazer tempestade num copo d'água, se tornar um mártir, ou, simplesmente, reconhecer que alguma coisa terminou, e não mecher mais, não se preocupar mais, "não chutar cachorro morto", como disse a Pietra, que tirou a mesma carta antes de mim. O resultado das eleições, para mim, foi a manifestação do dez de espadas. Sim, não ganhei. Ninguém ganhou. Todos os cargos tiveram mais votos reprovando que aprovando os candidatos. Mas quem perdeu mesmo foi o coletivo, o grupo, a Toca São Paulo do Conselho Branco. Três minutos depois, passou a surpresa, e eu estava, pasmem, internamente muito feliz com o resultado: Tinha livrado minha consiência, ao me oferecer para ajudar, mas, já que não querem a ajuda, posso desencanar do assunto, do CB e da Toca, tornar essa etapa mais uma experiência legal do passado, e curtir coisas novas! O tempo que eu ia usar com a administração da Toca, posso usar pintando, fazendo aula de dança do ventre, escrevendo, estudando sobre o que eu quiser! Posso usar sendo eu mesma, sem máscaras sem politicagem adolescente, indo e voltando com liberdade. De repente, estava tomada de um sentimento delicioso! No fim tem coisas que só O Eremita faz por você, pois se eu estivesse com os Enamorados teria desabado de chorar, se estivesse com a Temperança teria saido apontando dedos como fiz da outra vez, se estivesse com A Força ia controlar a raiva, mas ela não ia deixar de existir. Mas eu saí limpíssima. Roseamente purificada (pq a minha cor é o rosa, não o branco :p) Com um peso a menos nas costas, e mais preparada para viver o presente. e é raro eu reconhecer o valor positivo de coisas como essas tão rapidamente. Perceber que tava encarando numa boa me fez sentir mais forte ainda! É, as espadas só são ruins se não sabemos ver. Se cartas em geral positivas, ou pelo menos calmas, como Os Enamorados, A Temperança, e O Mundo podem às vezes vir em suas faces enlouquecedoras, por que isso não aconteceria ao inverso? E por que não aconteceria também nos menores? As espadas são o ar em movimento. E o ar muda nossas mentes. Eu precisava desses ventos da mudança! Abraços a todos! Lórien
Eu e o Chronos temos ouvido muitas músicas com temáticas voltadas para espiritualidades politeístas nos últimos tempos: Além do Ragalaz´Runedance, que eu já comentei vááárias vezes, estamos ouvindo bastante Omnia e Faunn. Mas nem sempre é em músicas feitas para falar sobre experiências espirituais que encontramos reflexos de nossas experiências mais íntimas. Voltei a ouvir essa música, que deve ser de dez anos atras, e, devo dizer, agora ela faz um sentido completamente diferente para mim...
La Bela Luna (Paralamas do Sucesso)
Por mais que eu pense Que eu sinta, que eu fale Tem sempre alguma coisa por dizer Por mais que o mundo dê voltas Em torno do sol, vem a lua me enlouquecer A noite passada Você veio me ver A noite passada Eu sonhei com você Ó lua de cosmo No céu estampada Permita que eu possa adormecer Quem sabe, de novo nessa madrugada Ela resolva aparecer A noite passada Você veio me ver A noite passada Eu sonhei com você...
Saudações!
Ao invés de ficar postando toda a vez que eu quiser comentar algo que o Quiroga escreve no horóscopo, coloco mensalmente, e vou dando replys. Esse é o post para esse fevereiro que começou bizarro
Horóscopo Mensal:
Ainda há muita vida para ser vivida e desfrutada ao máximo, você não precisa gastar nem um pouco de sua preciosa energia emocional duvidando disto. Muitos mortos e magoados ficaram para trás, sua alma também saiu ferida das batalhas, mas lá no fundo a certeza de a vida valer a pena continua intacta. Esta é sua força, esta é sua luz, nutra-a com carinho.
Para Hoje: Há pessoas que contribuem ativamente para alimentar o turbilhão de emoções que tomou conta de sua vida interior. Porém, há outras que facilitam o esclarecimento e ajudam você a recuperar a calma. Escolha seus relacionamentos.
Tenho precisado refletir muito sobre essa coisa de quem está realmente ajudando. Em um momento como esse, em que tudo anda tão incerto, me manter calma está sendo muito difícil. Eu posso perder muito do que conquistei, ou tudo pode estar melhor do que está hoje em poucos dias. Eta Roda da Fortuna porreta. E tudo o que essas pessoas que me ajudam têm dito é: Tenha calma e fé. Suas preces foram ouvidas, apesar de ainda não terem dado nenhum resultado visível.
... ou, o que esses deuses querem comigo...
Saudações!
Estava eu indo para o meu emprego atual (sim, eu tenho um emprego apesar de estar procurando outros, pois a minha carga horária lá está baixíssima), que, se eu tivesse de descrever com a metáfora de um arcano maior seria, definitivamente, a Roda da Fortuna, e, saindo da Paulista fui passar pela passarela subterrânea que dá acesso ao ponto de ônibus no meio da Consolação. Na verdade, estava andando bem avoada. Pensava em várias coisas ao mesmo tempo, e parece que eu havia me decidido a pintar alguma coisa hoje à noite, para ser distribuído para quem estiver no ritual de Briganthia amanhã. E eis que eu vejo um livro: Anam Cara, um livro de sabedoria celta, de Jonh O'Donohue. Eu ouvi falar desse livro pela primeira vez quando estava no curso de druidismo do Claudio Crow Quintino, deve fazer um ano e meio. E, na época, o procurei, mas estava esgotado. E, de repente, ele me aparece. Demorei uns segundos para me ligar de que realmente tinha visto aquilo, e tinha. Pedi para a vendedora para ver por dentro, pois estava emplasticado: Novinho em folha, apenas com cheiro de guardado, uma etiquetinha indicando que ele foi comprado na Hera Mágica há muito, muito tempo atrás. Pediam 25 reais, eu só tinha 20. Chorei desconto, comprei, e subi para o ponto feliz da vida por mais uma nova aquisição. Quando cheguei novamente ao ar livre eu parei, e percebi o que tinha acontecido: Em três dias, tinha comprado quatro livros sobre celtas, sabendo que to super apertada de grana. E eles tinham me aparecido por total acaso. O que os deuses celtas estão querendo de mim? Pois eu, sendo bem sincera, não acredito em coincidências. E justo uns poucos dias antes de Briganthia, o festival com o qual comecei minha primeira roda do ano, festival dedicado a Brighit, a deusa das chamas da forja, da inspiração e da cura? E se meu quatro de paus não era o que eu imaginava que fosse, quem me garante que ele não se refere à celebração de amanhã? Isso me deixa naquela situação gostosa que só conhecem aqueles que já aprenderam a esperar o inesperado, e estar abertos a ele. Se há uma mensagem a ser dada, se há algo que eu possa aprender com o povo do meu marido sem que isso interfira nas minhas próprias crenças, que venha! Que amanhã o awen flua novamente através de mim, que não deixe de fluir nunca! O despertar de coisas novas esses desejos e essas coisas malucas, são, no fundo, o que eu escolhi para a minha vida. Uma escolha que eu tracei há tanto tempo, e que começou a se concretizar três anos atrás...
Há alguns meses esperava por uma determinada correspondência. Era uma carta importante, que eu sabia que, mais dia, menos dia, ia chegar. E ela chegou, carta registrada, semana passada. Quando o carteiro tocou a campainha, no entanto, nem pensei que pudesse ser ela. E, quando vi o remetente, soube que era a carta que eu esperava. Eu não sabia se ria, se chorava, que divindade deveria agradecer primeiro, se eu dava um abraço no carteiro... preferi me conter a abrir a carta primeiro. Ela não trazia exatamente o conteúdo que eu esperava, mas ainda assim eram notícias valorosas. No dia seguinte, quando vi um carteiro ao longe, abri aquele sorriso. E não pude me conter de cantar a velha canção, que me é tão cara, na qual uma moça espera notícias de seu namorado que está tão longe (e eu nunca consegui imaginar outro lugar onde ele pudesse estar senão a Guerra do Vietnã). Canção criada por um grupo que ninguém conhece hoje em dia, reinterpretada pelos Beatles e pelos Carpenters. E, depois desse dia, tenho visto tantos carteiros...Toda vez que saio encontro pelo menos um. Ao sair dessa tarde foram três, entre a minha casa e o ponto onde deveria pegar ônibus, fora o que eu já tinha visto de manhã. E não é simplesmente uma questão de entregas de cartas: Vejo carteiros vindo entregar sedex e outras encomendas, quer de manhã, quer de tarde. Até carteiro correndo prá pegar ônibus eu andei vendo. O primeiro dos que ví à tarde foi logo após ter dito o nome de Hermes, o mensageiro dos deuses. E, de alguma forma, ligo a proliferação de carteiros no meu bairro à presença dele. Ligo essa boa nova, que me chegou depois de meses de espera, com uma das últimas conversas que tive com ele, com todas as preces de agradecimento, com todas as oferendas e libações que já lhe fiz. Hermes é um deus que eu tenho em alta conta. Que tenho admirado há muito tempo. É um deus que gosta de rir da nossa cara de vez em quando, e atrasar as coisas quando esquecemos dele um pouco, mas que sempre me traz muitos desafios, muito aprendizado, e muitos pequenos e grandes milagres. Hoje não pude deixar de saudá-lo. Ele se fez presente no múndo físico, assim como Apolo se fez presente no mundo onírico... Estou extremamente feliz, e esperançosa.
Saudações! Estou devendo traduzir esse texto desde que tirei pela primeira vez a carta como carta de lunação. Eu acho algumas coisas no texto muito extremistas, mas ele dá uma visão diferente e interessante sobre o que pode significar a carta. Em muitos momentos, o texto se refere à imagem que está junto dele. Minha tradução não está perfeita. O texto original foi traduzido de: http://www.wheelofchange.com/Strength_Text.html Aí vai. Espero que gostem Abraços Lórien A Força Dirigindo o Leão A Força representa a menarca e a nova jornada da mulher da adolescência à maternidade. Ela está ganhando vitalidade, evidenciada em sua nova e poderosa força vital e na habilidade da menina-moça de criar uma nova vida a partir de seu corpo. Em nossa cultura as meninas parecem perder sua visão interior e sua força nesse ponto de suas vidas. Elas têm dificuldade em aceitar seu novo poder criativo, e se encontram no meio de escolhas terríveis com pouca auto-confiança. Por vivermos em uma sociedade patriarcal e hierárquica, as meninas reconhecem de modo inato que quando elas entram na adolescência suas vidas serão diferentes das dos meninos com as quais elas cresceram. Eles vão encontrar desafios e medos que são de difícil compreensão para jovens homens. Na Força vemos a imagem do poder, alegria, beleza e orgulho que a jovem mulher deveria sentir quando começa a menstruar. Nesse momento importante nas vidas femininas, elas dão um passo adiante com o poder de crescimento vital dentro delas e contêm o futuro de toda a humanidade nos ciclos sagrados delas. A mulher forte e bela da carta da Força utiliza um leão como montaria, segurando uma bandeira que proclama sua fonte de poder. Ela está nua porque sente orgulho de seu corpo feminilizado; está completamente confiante no mundo do jeito que ela é. Não sente necessidade de ocultar seu poder sob alguma veste, nem de interpretar algum papel vestindo alguma roupa em particular. As espirais pintadas em seu corpo falam da natureza cíclica de toda a vida e dão uma expressão ao próprio ciclo menstrual dela. Ela usa um rosário de âmbar que proclama sua relação com o sol, já que ela é como o sol nascente, tanto em seu poder recém-descoberto, quanto no calor de sua paixão. A antiga palavra para âmbar era ‘electrum’, de onde deriva eletricidade, porque esfregar âmbar produz uma carga estática. A cobra sobe pela perna da mulher, e ela não tem medo, ao contrário, reconhece a cobra como aliada do poder feminino. A serpente sempre foi uma representação da Deusa porque ela troca sua velha pele e está constantemente renascendo. Os antigos acreditavam que a cobra era imortal e que quando trocava de pele sua vida era renovada e recomeçava. A pele velha de uma cobra era como a pele enrugada e seca pela idade, e quando a cobra deixava sua pele ela estava deixando a morte para trás. Como a adolescente que está iniciando sua vida como pessoa independente, a cobra tem a habilidade de renovar seu poder e recomeçar. As serpentes sempre estiveram ligadas ao sangue vital e renovador da menstruação, que se renovava como a pele da cobra. Dizia-se que as mulheres começavam a menstruar depois de copular com uma grande serpente. A cobra abria a jovem mulher e tornava sua vida fértil, permitindo ao espírito criativo da Deusa penetrar nela. O leão é um símbolo de força e do poder de um rei. A leoa é a caçadora e a rainha do grupo de leões e é ela quem sustenta a família, fornecendo comida tanto para o companheiro quanto para seus filhos. O leão representa o poder do sol brilhante por causa de sua cor dourada e de sua coragem intensa. A jovem mulher da carta da Força começa o período solar – ou o meio-dia - de sua vida, quando ela controlará seu destino e fará as próprias escolhas. O leão é também um símbolo de paixão e instintos animais, e a alegria da nova sexualidade que a mulher descobrirá. Essa leoa persegue o rabo do leão macho que vem antes dela, representando o poder da mulher de conseguir o que deseja, tanto no aspecto sexual, quanto no material. A leoa corre para simbolizar a força de mudanças rápidas da adolescência. O leão era um atributo da deusa frígia Ciblee, similar à grega Afrodite, a deusa associada à sexualidade. O outro animal representativo de Cibele era a abelha rainha que, como a leoa, era a provedora da família. Como a abelha rainha, Cibele era uma deusa independente que não precisa do homem para fornecer alimento para ela ou definir-lhe o papel. A sexualidade é uma parte do poder dela, e todo dela, a e ela distribui seus favores apenas sob sua própria iniciativa. As adolescentes de hoje – que precisam se definir em relação ao cenário de cultura patriarcal – têm dificuldades de ser independentes como a deusa Cibele, e são forçadas a dar seus corpos por comida, alimento, ou mesmo para salvarem suas vidas. A carta da Força é tanto uma lembrança do verdadeiro papel e poder da mulher e um chamado à nossa sociedade para respeitar, honrar e apoiar as jovens mulheres que tentam, contra a maré, manter o seu poder sexual. Sobre a cabeça da jovem mulher estão as abelhas representando a deusa Cibele. Elas formam o oito que é o símbolo do infinito sobre ela, pois, em seu círculo sem fim, essa forma representa a eternidade. Mas o símbolo do infinito, com seus dois círculos unidos – um se movendo no sentido horário (deosil) e outro no sentido anti-horário (widdershins) – simboliza mais que isso. O movimento em sentido horário do sol do amanhecer ao anoitecer simboliza a força masculina, enquanto o movimento menos óbvio da Lua através de várias noites que parece ocorrer no sentido anti-horário representa a energia feminina. Assim, esse símbolo representa a relação entre opostos e a relação entre homens e mulheres. É um símbolo do dualismo do mundo, e ainda mostra que essas coisas separadas estão unidas na eternidade e são dependentes umas das outras. A abelha em si é um símbolo poderoso do poder feminino. A sociedade das abelhas é toda feminina onde os machos só são úteis momentaneamente para fertilizar os ovos da rainha e onde todas as operárias são irmãs. A abelha representa a doçura da vida, pois ela produz mel, que é simbólico do doce fruto da sexualidade. As antigas sacerdotisas da deusa abelha eram chamadas Melissae (Melissa é o termo grego para mel de abelhas), serviam à deusa em sua forma de ninfa (ou forma sexual) e os homens que cultuavam a deusa Abelha se castravam para servi-la propriamente. A abelha também é um símbolo da primavera, e era associada com a flor do tojo (um arbusto de flores amarelas, uma variedade de giesta) que dão um tom amarelo brilhante a regiões de colinas em toda a região do Mediterrâneo assim que a luz do sol aumenta. As abelhas começam suas jornadas para fora das colméias com o intuito de juntar pólen assim que elas aparecem. Tanto a cor solar amarela das flores quanto a primavera em que elas surgem estão relacionados ao período da adolescência em que florescem as características femininas. A giesta está ligada à letra 'O', a vogal que representa a Segunda parte da deusa de cinco partes (veja o cinco de espadas para mais informações sobre isso) e está conectada com a menarca. A letra ‘O’ representa o útero da mulher que ainda não foi aberto pelo parto. A mulher da carta segura uma bandeira hasteada; como uma varinha, ela é símbolo de realizações e poder. De fato, ela porta duas bandeiras: A dourada bandeira solar e a bandeira branca da lua. Como ela é uma mulher, a bandeira da lunar esta acima da bandeira solar. Isso simboliza sua conexão íntima com o ciclo da lua, como evidenciado pela mestruação mensal (a palavra vem do latim, no qual a palavra para mês é mensis). O ciclo completo da lua é mostrado na própria bandeira de quatro fases. Esses quatro ícones, mais o ícone do sol completam cinco emblemas nas bandeiras, simbolizando a natureza quíntupla da vida feminina. A estrada é um símbolo da jornada da vida e o caminho adiante simboliza a o portal para a maternidade, o próximo marcador no caminho da vida dessa mulher. O lago simboliza a água da vida e o útero fértil. A montanha simboliza os desafios da vida e os objetivos distantes. Há uma outra referência a Cibele, que era uma deusa de montanha e a rainha do Monte Ida na Frigia. O fogo na colina no fundo simboliza os fogos do meio do verão e representa o movimento da primavera para o verão que a carta da Força personifica. O fogo também representa a paixão ardente da adolescência, ir em direção ao mundo deixando a infância para trás. Quando essa carta surge em sua leitura, preste atenção ao que você tem paixão e use essa paixão para avançar em sua vida. É uma carta de uma imensa coragem, vitalidade e poder de alcançar tudo o que puder imaginar. O poder que você tem não é um poder sobre os outros, mas um poder interno, uma força que você tem que é realmente sua. Você não precisa usar essa força interior para fazer com que os outros façam o que você deseja, mas se a usar com calma, através do exemplo muitos outros podem conhecer esta força poderosa. Essa é também uma carta de iniciação; assim como a nova mulher é iniciada no ser mulher quando sua menstruação desce, você é iniciada em algo novo e especial quando esta carta aparece em sua leitura. É um bom momento para começar algo novo e algo que você ame e pelo que tenha paixão. Como os arbustos floridos de que falamos antes, você também vai se tornar algo brilhante e amável. É um momento especial para o amor e a sexualidade e para paixões que venham de qualquer coisa realmente comovente. Você está saindo do controle dos outros e pode tomar suas próprias decisões. Essa é uma carta de liberdade e poder feminino, e por isso uma carta particularmente poderosa para mulheres. Se você tem deixado que outros decidam por você, é um bom momento para tomar para si esse poder, e, como a mulher da Força – dirija o leão!
Saudações! Um post da Inês causou polêmica sobre a mistura de deuses de panteões diferentes. Eu já resvalei na minha opinião sobre o assunto neste e neste (também polêmico) escrito, mas nunca cheguei a dar uma opinião mais direcionada e profunda. Então, aí vai: Em princípio, eu não aprendi nada com ninguém que siga, ou tenha seguido, o mesmo caminho que o meu. Li sobre o meu caminho, mas o aprendizado prático e/ou de convívio físico, foi todo com pessoas que seguem caminhos diferentes, e eu agradeço muito essas pessoas,e honro o jeito que fui, intencionalmente ou não, ensinada (pois a maioria dos que nos ensinam não têm a meta explícita de nos ensinar; eles estão vivendo a vida deles, e acabamos aprendendo com seus exemplos). Isso por sí só seria motivo para mim honrar, pelo menos, os quatro festivais celtas. E, bem... Eu sou casada com outro neopagão, mas que não segue a mesma linha que eu. O Chronos pratica o druidismo, e eu cultuo os deuses da Grécia. É impossível para mim ignorar a existência do altar dele como a pimeira coisa que olhamos quando acordamos de manhã, assim como é impossível para ele que o meu altar para Héstia não seja a primeira coisa que ele olhe ao chegar em casa. Há quem diga, mesmo entre praticantes extremamente sérios e conceituados do druidismo que é possível praticar o druidismo honrando deuses de outros panteões. Mas essa NÃO é a minha opinião. Eu já estudei um pouco de druidismo (nem metade do que eu gostaria), mas nunca vai ser o meu caminho. Não funciona assim comigo, apesar de eu usar muitas influências do druidismo nas minhas práticas. Isso porque os meus deuses têm outras demandas. Meu conceito de ritual é muito mais solene, exige preparações e práticas que não necessáriamente são necessárias no druidismo. Ao mesmo tempo tem coisas importantes lá que não são importantes para mim. Então uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. No entanto, isso continua não impedindo em nada que eu celebre com o Chronos e outras pessoas que conheço que seguem o druidismo, nem que o Chronos ou quem quer que seja celebre os meus deuses comigo, mesmo se guiando por panteões diferentes. Inclusive, dependendo do caso, dentro de uma mesma celebração. Só é importante distinguir uma coisa da outra. Perante os celtas, ou os nórdicos, ou os deuses afro-brasileiros (nunca assisti um ritual a eles, mas morro de vontade!), eu sempre me sentirei uma estrangeira, e me portarei como minha cultura diz que um estrangeiro deve portar-se: Respeitando os costumes de quem hospeda, sem jamais desprezar a hospitalidade, mas também sem trair meus preceitos. Se para mim realizar um ritual exige preparações de purificação, não iria para qualquer ritual sem preparo, mesmo que para a religião "do outro" isso não seja necessário porque (como alguém disse em um reply a um dos posts que mencionei lá em cima) para ela tudo é rito. Para mim os deuses estão em todos os momentos de nossas vidas, e em todos eles lhes glorifico, mas existem momentos mais especiais, que são as celebrações, e essas festas para os deuses exigem cuidados muito especiais. Se eu não me apresentaria suja em uma festa dedicada aos deuses a que honro, não seria um desrespeito fazer isso perante os deuses honrados pelos meus amigos? Sempre ao ir a algum ritual de outra cultura, me purifico como se fosse honrar aos meus próprios deuses, e, antes de sair, faço uma prece, avisando que estarei como estrangeira em terras de amigos (e nada mais familiar aos gregos que viajar, que ser estrangeiro e receber o estrangeiro - aliás, muitos de nossos deuses não são, em origem gregos, mas foram trazidos para o que se chama de Grécia Antiga, e assimilados e adaptados por essas populações), e reafirmo que não estou abandonando nada por estar ali. Desde que peguei esse jeito de me comportar, nunca mais tive problemas com o temido (e pesadíssimo) choque de egrégora, e conhecer o estrangeiro só me ajudou e acrescentou. Quando celebramos de modo misto, seguimos tudo o que é necessário em ambos os modos de celebrar: Eu faço libações e oferendas como meu costume, e o Chronos, que é quem em geral celebra comigo de modo misto, conduz as preces necessárias pelo costume dele. E vamos indo bem assim, sem perder em profundidade, e sem se desrespeitar. Uma coisa que gosto de lembrar sobre esse assunto é que, para muitos dos modos de se cultuar os deuses da Grécia, mesmo deuses do nosso panteão são inconciliáveis. Já lí várias vezes pela Internet que se deve cultuar apenas os deuses do Olimpo, e que esse negócio de mecher com Titãs ou divindades pré-olímpicas no geral não dá certo, pois "as cargas deles são muito pesadas para que os humanos suportem", e coisas assim. Nem sempre tão nitidamente, mas eu mesma tenho separado: Ou faço um ritual aos olímpicos, ou celebro os titãs e os espíritos da natureza. Mas ainda estou estudando mais, para resolver esse problema na minha mente, pois ainda não sei se preciso, ou não, seguir essa ortodoxia. E mesmo para quem cultua só um panteão, tem aqueles deuses que vemos todo dia, outros em ocasiões especiais... Vejo tantos problemas em pessoas que misturam panteões quanto os que vejo naquelas que não se informam sobre as individualidades de cada deus, mesmo que cultuando dentro de um único panteão, ou se contentam com informações superficiais. Nada contra alguém que cultue deuses de mais de um panteão, respeitando as particularidades de cada deus e sabendo separar as coisas quando a separação é necessária. E, se assim não fosse, que direito teríamos de cultuar deuses que não são de nossas terras, sendo que todas as "mitologias" eram geograficamente localizadas? Assim, acho que precisamos tentar não tomar posturas radicais contrárias a determinadas práticas, sem checar a possibilidade de aprofundar nelas antes. O que deve ser criticado, e combatido, e lembrado como exemplo para não fazer, é a superficialidade e o desleixo de certas práticas, o desrespeito às particularidades de cada deus e de cada cultura, e a prática de coisas sérias como se fossem brincadeiras, sem o preparo e o estudo necessário. Como disse o Chronos ontem, "nesse ramo, pior que o mal intencionado só o mal informado".
Saudações! Desde que eu tirei Os Enamorados pela segunda lunação consecutiva (e achei isso péssimo), pensei em comprar um tarot novo, para tirar a carta do próximo mês. É claro, era uma boa desculpa para aumentar a coleção. Me dei ao trabalho de ir na internet pesquisar o tarot que eu queria comparando os preços e os designs. Conclui que queria o Feng Shui tarot pois, além das cartas serem lindas, os autores estabeleceram alguma co-relação entre elas e os trigramas do ba-gua, e seria interessante ver como eles fizeram isso e estudar. E a idéia tinha ficado na cabeça, para ser executada. Ontem, fui à Pallas Atena, com o Chronos, ver o lançamento de um livro sobre budismo. Entretanto, estava muito lotado, e, quando chegamos, só era possível ouvir a palestra dos fundos do auditório. Ouvimos o início, mas, quando chegou a parte das perguntas para o tradutor do livro o Chronos já tinha se dispersado faz tempo, e eu já estava cansada e começando a sentir frio. Achei que era a hora do meu plano entrar em ação. Fui para o outro lado da Paulista, na Cultura. E, mesmo já tendo em mente o que eu queria, ví todos os tarots. Quis levar além dele um outro, chamado "The Golden Tarot, com imagens de pinturas medievais e renascentistas famosas, mas estava conhecendo-o na hora (não tinha visto imagens dele na Net, e não achei na Taroteca agora há pouco) e era um gasto excessivo para alguém que está com a grana curta. Na verdade, ter comprado um tarot já foi um excesso que talvez eu não devesso ter cometido. Comprei. O que planejava. E está aqui, lindo. também comprei o livro com as guidelines sobre ele, e estou começando a ler. E, é claro, estou ansiosíssima prá saber o que vou tirar na próxima lunação, apesar do Chronos estar agourando que tiro um terceiro Enamorados. Mas poxa, esse mês eu não fui tão má menina assim...
 | ciclos | Dec 8, '07 10:23 PM for everyone |
Já deve fazer um ano ou um pouco mais que tive um insight sobre esse negócio de ciclos da vida. Foi ano passado quando percebi que estava tendo um ano terrível depois de um ano maravilhoso e cheio de descobertas, como se para colocar, na prova de fogo, tudo o que eu tinha construído até então. E escrevi no meu diário físico mais ou menos assim: 2005 está para 1996, assim como 2006 para 1997, e, se mantendo o padrão, as coisas ainda continuam ruins ano que vem. Bem, continuaram. O padrão se manteve. 2007 foi realmente um ano de continuidade no questionamento das minhas posturas, de desafio constante, de uma virada bizarra a partir do segundo semestre, que, guardadas as proporções, foi muito parecida com a de 1998. Essas perspectivas são animadoras. pois 1999, e os anos que se seguiram até o dito 2005, foram todos muito bons, mas cada um com sua personalidade. Em 1999 conheci muitas pessoas. Das irreconciliavelmente diferentes, às que me influenciaram em posturas, as que eram meus pares, e àquelas que, apesar das diferenças, tinha coisas em comum. Eu quero muito isso para mim novamente! Ingressar em novos ciclos e aprender muito!
O mais interessante é que, agora que estou começando a aprender sobre numerologia, isso tudo faz muito, muito sentido. 2008 e 1999 foram, para mim, anos pessoais de número 1. Um ano de renovação de vida e de novos projetos, um ano de força e de impulso criativo.
Perceber novas perspectivas de algo que já se tinha pensado é tão divertido. A confiança que se desperta assim é uma delícia! E olha que tenho precisado dela!
Venha logo, 2008!
...ou ainda, como atrair público. Saudações! Vou escrever sobre um tema que tem me incomodado bastante desde o ano passado: Que nome pessoas dão para seus trabalhos no ramo da espiritualidade, e quem eles visam atrair com esses nomes? Vamos começar com alguns pequenos exemplos: "ATRAIA A PESSOA AMADA - Como a abelha para o mel, em curtíssimo tempo..." "ALTA MAGIA - Trago seu amor aos seus pés por mais impossível que seja. Pagamento após resultado." "VIDENTE DO AMOR - Tarô, Buzios, faz e desfaz trabalhos" "MAGIAS E RITUAIS DE AMOR PARA 2008! (...) Amuletos de Amor (magia com cristais e ervas) para o final e inicio de ano " "PAI GALO - Faz a pessoa amada voltar em 7 dias - Trabalhos Grátis - Marque sua consulta e ganhe o talismâ do amor" "AMOR E MAGIA (...) Trago seu amor aos seus pés apaixonado. Por mais difícil que seja em 24 horas. Facilitamos o pagamento e aceitamos cartão de crédito" "SIMPATIA INFALÍVEL - Trago o seu amor em seis horas" Aparentemente o público alvo desses anúncios é o mesmo, certo? Aparentemente, esses anúncios poderiam ter sido feitos no mesmo lugar, certo? Todos eles, menos um, foram, de fato, retirados do Metrô News do dia 14. Um, entretanto, é um excerto de um e-mail que recebo de um lugar bastante conceituado, buscando público para um Workshop, e o assunto do e-mail está copiado na íntegra, em maiúsculas. Dependendo do modo como você anuncia o que está vendendo, você atrai um público diferente. Esses anúncios de jornal estão todos visando um público que acredita que é possível fazer magia, mas que têm a necesidade de um profissional eficiente para que ela seja eficaz. Acontece que esse Workshop é mais profundo que esses anuncios de jornal. Copio uma parte maior do corpo do e-mail: Conteúdo: - Ritual de Purificação do Coração - Deixando o Passado no passado e preparação para um Futuro Brilhante
- Ritual de Florescimento: A Renovação e O Desabrochar da Rosa Interior - Vencendo o medo de amar e ser amada
- Banhos e Poções de Afrodite
Amuletos de Amor (magia com cristais e ervas) para o final e inicio de ano Simbologia do Amor
- Dança de Afrodite - A Libertação do Ventre Sagrado e a Sensualidade latente
- Oração e Meditação para o Crescimento do Auto-Amor (Auto-estima)
Pelo corpo, um público um pouco mais instruído poderia se interessar (eu iria em um curso desses se tivesse dinheiro), mas me pergunto quantas dessas pessoas, na pressa, abririam um e-mail com esse título. Talvez seja chatície única e exclusivamente minha (e vcs tem todo o espaço dos comentários para concordar e/ou discordar), mas eu desconfio muitíssimo dessas coisas com títulos muito espalhafatosos. A questão é que, por trás desses títulos, às vezes coisas interessantes acabam escondidas.O próprio livro de numerologia que eu estou lendo é um exemplo disso. Pelo nome, e pela capa, achava que seria muito fraquinho, e eu estou curtindo muito (postei um pouco sobre ele aqui). Eu desconfio de tudo o que venha da Rádio Mundial, por exemplo, mas sei que é um preconceito meu que, por causa da minha mãe, ouvia aquilo antes de começar a acreditar em muita coisa, e achava tudo aquilo um absurdo. Mas e se eu tivesse de falar de tudo o que eu vi? Não pareceria tão abobado e superficial quanto tantas coisas que ouvi lá? Compartilhar experiências sobre o outro mundo não é nada, nada fácil. E é provavelmente por causa desse meu horrror a esse tipo de sensacionalismo que eu sou tão fechada para falar abertamente das coisas que faço, e, principalmente, das que vejo.
| Category: | Books | | Genre: | Other | | Author: | McCANTS, Glynis |
A numerologia nunca foi uma das áreas do oculto que mais me interessou. Entretanto, por umas e outras razões precisei ir pesquisar um pouco. E, na biblioteca da minha mãe, encontrei esse livro, que é um daqueles que não se deve julgar pela capa, pois é menos superficial do que parece, e acabou superando minhas expectativas. Em geral, os livros da ARX que eu li não são ruins, by the way. É um livro introdutório, bqastante feliz em suas colocações. E, por não colocar as coisas de modo rígido, mas a partir de suas aplicações, aquilo vai aumentando a vontade de saber e de pesquisar. É divertido ficar calculando com nomes e datas de nascimento de pessoas próximas, e vendo os resultados que você obtém. Vou zapeando pelo livro, pois um assunto vai puxando o outro, ao invés de ler linearmente. E, depois de um pouco de leitura estou eufórica pelo tanto que aprendi, e em como desejo compartilhar aquele aprendizado!
Nesse mês tão difícil e pesado, nada melhor do que encontrar alívio e contentamento...
Ontem aconteceu uma coisa que me deixou frustrada, e com um sentimento muito ruim.
Bem, na verdade não começou ontem, mas quinta, quando eu cheguei cansada e preocupada com meu trabalho de História dos Estados Unidos, para entregar a proposta em duas semanas, sendo que eu nem tinha definido o tema. Mas aparentemente ia ter o sábado mais ou menos livre, e, com algum esforço, seria fácil lidar com isso. Meu marido me avisou, então, que haviamos sido convidados para um sarau por uma amiga dele. Ia ser com um pessoal que pratica o druidismo, com alguns afetos e alguns desafetos dessa pessoa que vos fala. Coisa que eu tento levar ao máximo numa boa, cansada de atritos e tentando uma "política conciliatória".
De qualquer maneira, não costumo recusar convites a saraus. Sinto falta da época onde tinha pelo menos um deles para ir por semana. Já começa a ficar difícil lembrar algumas das poesias que eu tenho de cor. Eu ia dar um jeito de ir. Dei, e fui com ele, na maior alegria. Chegamos lá, encontramos o pessoal, começamos a conversar. E, papo vai, papo vem, algumas pessoas começam a chamar o encontro de "ritual", e a coisa foi se tornando meio estranha. Resolvemos perguntar. "É, parece que vai ter um ritual", diz alguém. Vamos diretamente a quem nos convidou, perguntar o que ia realmente acontecer. Ela simplesmente havia esquecido de avisar que era um ritual. Ritual a quem, ou prá que? Eu já estava irritada demais prá perguntar.
As pessoas estão cansadas de saber que eu não sigo o druidismo. As pessoas estão cansadas de saber que eu participo e gosto de rituais de outras linhas, mas se eu não me preparar antes de sair de casa eu sinto choque de egrégora. Mais do que isso, pelo meu jeito de lidar com deuses e celebrações é definitivamente impensável celebrar a qualquer coisa sem um bom banho com a intenção de purificação para o ritual antes. Eu tinha tomado um banho, mas não era a mesma coisa.
Eu simplesmente não podia ficar. Tinha ido para lá à toa. Fui ficando com mais e mais raiva, pensando na minha roupa não lavada, no meu trabalho não feito... Para ficar sentada sozinha no Jardim Botânico, enquanto os outros se divertiam.
Mais do que isso. Como alguém vai a um ritual e se esquece do fato? Como alguém convida outras pessoas para algo tão sagrado com tanta displicência? No fundo, eu fui percebendo, ela não estava desrespeitando a mim e ao meu marido. Estava desrespeitando aos deuses dela, e a ela própria. Não foi uma iniciante que fez isso. Eu ainda nem sonhava em saber o que é neo-paganismo quando ela começou a estudar. E é uma pessoa iniciada em mega-ultra-plus trecos, supostamente graduada para ensinar os outros. Como uma pessoa estuda tanto para continuar tão tola, fraca e desrespeitosa?
Ela só podia ter feito isso de caso pensado. Para eu ser forçada a me isolar e as pessoas ficarem apontando o dedo para mim e dizendo "olha lá aquela criança bobona e anti-social que não sabe lidar com os outros e não quer participar de novo. Quando ela vai crescer? Aquela alí não aguenta o tranco, vive à sombra do marido e só está arrunando a vida dele, na verdade nem quer nada com neo-paganismo nenhum", como já disseram tantas e tantas vezes. Era muito difícil acreditar em outra explicação vinda de alguém como ela.
Chrorei mesmo. E de montão. De berrar, espernear, alí, sozinha. Não podia acreditar que uma pessoa mesquinha como aquela é modelo para pessoas que eu confio e amo, é celebrada como representante de uma religião tão legal quanto o druidismo. Como alguém em uma posição como a dela podia fazer tão pouco caso de si mesma?
Uma mente muito inquieta pelas turbulências do dia, uma discussão interessante na Página da Pietra e uma tarefa me trazem de volta, para contar a parte desses caminhos mais próxima ao estágio em que me encontro Tudo começou quando, na última semana de aula no penúltimo ano de CEFAM, recebemos a notícia de que começaria um novo projeto na escola no ano seguinte: O Círculos de Leitura que, na época, era muito, muito mais modesto do que hoje em dia. O que me interessou logo de cara foi a promessa de que o terceiro livro que seria lido e discutido seria "O Banquete", de Platão. Era uma boa oportunidade de aumentar os meus conhecimentos. Mas não imaginei que fosse me interessar e envolver tanto. As discussões eram profundas e me satisfaziam. O tipo de contato proposto com os livros lidos e com a poesia despertavam coisas em mim que eu não sabia nomear. E aquilo tudo me inspirava na escrita e na vida. Havia um sentimento misterioso e muito sutil em jogo, que em muito me alegrava. Rapidamente me destaquei no projeto - pelos tipos de pensamento que mobilizava, pela carga de leituras que eu tinha antes, pelas poesias que eu comecei a decorar... Eu não era uma figura destacada, várias pessoas emergiam, como pares, cada um como uma flor diferente de um rico jardim. Dentre essas pessoas, superficial ou profundamente, já conhecia praticamente todas; mas foi a que menos conhecia que se tornou o meu companheiro de descobertas, debates e sonhos pelos três anos seguintes: O Chico, que alguns dos que estão lendo aqui provavelmente conhecem. E nossa primeira coisa compartilhada foi estudar, conjuntamente, a obra de JRR Tolkien. Ler muito, e discutir muito. Por acaso ele tinha "O Hobbit" e foi comprando, ao longo do primeiro semestre daquele ano, as demais obras de Tolkien, e passamos a viver, juntos, um pouco dentro delas. JRR Tolkien, esse cristão fervoroso, foi uma das pessoas mais importantes para a redescoberta de meu caminho espiritual. Se não foi a mais importante de todas. E foi empolgante quando ele me ligou nas férias para dizer que tinha comprado O Silmarillion e que ele tinha certeza que eu ia adorar, pois falava de muitos, muitos elfos, e eu adorava elfos. Peguei prá ler, me encantei muito, um tempo depois comprei um para mim para poder fazer anotações... o Silma se tornou minha, nossa Bíblia, por um tempo. E essa expressão, por mais que seja uma brincadeira normal dos Tolkendilli (fãs de Tolkien) foi um pouco verdade para mim. Pois estava vendo e vivenciando uma cosmogonia neopagã novamente, e, mesmo que fosse uma cosmogonia inventada de um mundo inventado, aquilo tudo parecia tão crível... Poderia mesmo ter acontecido em uma realidade paralela, como as histórias que eu escrevia quando estava na sexta série... Estavamos realmente fanáticos por tudo o que se relacionasse à Terra-Média. O ano de 2003 chegou, entrei na faculdade, comecei a trabalhar no Círculos de Leitura, que realizava sua primeira expansão, junto com o Chico e muitos outros que haviam sido do meu grupo. Vivia um tempo próspero, de realização de sonhos, e tudo isso se gestava em mim. Passou com uma deliciosa leveza. Para chegar 2004, e, logo no dia 3 de Janeiro, eu tomar coragem e ir, pela primeira vez a um encontro da Toca São Paulo, a sede paulistana do Conselho Branco - Sociedade Tolkien - e começar a conhecer pessoas que são parte muito importante dessa história. Foi na Toca que conheci, pela primeira vez, e pessoalmente, pessoas que realmente praticavam o neopaganismo. E foi com eles que comecei, um ano depois. E foi lá que conheci o Chronos, e nunca podia imaginar que aquele carinha tão nulo, com quem mal falei no primeiro ano-e-meio de convivência, ia se casar comigo. Quando as aulas começaram, tantas coisas novas já tinham acontecido . Estava muito feliz, e, naquele semestre, faria História Medieval! Mas eu, que esperava ouvir da cultura medieval, e do feudalismo, e etc., peguei um professor maravilhoso - o Flávio de Campos - mas que ia se focar em um tema que, para mim, ainda era bem indigesto - a história do cristianismo. Aquilo se engasgou na minha garganta, e disse a mim mesma "ok, vou ter que passar o semestre inteiro estudando isso. Então, vamos tentar tornar as coisas mais leves." E peguei para ler um dos livros que comprara no final do ano anterior, na mega feira que sempre tem na usp com descontos muito bons: "Isto és tu: Redimensionando a Metáfora Religiosa", de Joseph Campbell. Já havia lido, então, um pedaço d' "O Poder do Mito", e Campbell me encantava muito. Principalmente por que ele havia escrito sobre algo que havia percebido ainda na meninice: Que as mitologias tinham muito em comum umas com as outras - percepção essa que me levou, pela primeira vez, à idéia de cursar História. O livro do Campbell casou muito bem com as aulas do Flávio, que explicavam a origem da Igreja e do pensamento cristão como o conhecemos, para, através da compreensão racional, ir quebrando as barreiras ao pensamento cristão que eu tinha me imposto devido às màs experiências do passado. E a conjunção dessas coisas todas foi reacendendo em mim, bem lentamente, um desejo pelo espiritual. E foi no início do ano seguinte que dei o primeiro passo. Já tinha uma amizade considerável por alguns neopagãos da Toca, e, conversando no MSN no meio do expediente, a Vaire me disse que naquela noite iria à celebração de Briganthia na Hera Mágica. Já havia ido na Hera umas duas vezes, para palestras sobre Tolkien e Rei Arthur do Claudio Quintino. De impulso, decidi ir junto. Senti muita coisa ao som daqueles tambores, e o que mais me animava era que aquela era uma espiritualidade que compreendia o que eu sentia quando eu declamava um poema, ou lia algo que me encantava. E mais, valorizava esse tipo de sentimento. O pessoal do lado druídico da coisa tem até nome para isso: Awen, o espírito que flui. E, desde esse princípio, eu sempre tive uma relação com o druidismo, embora esse não seja meu caminho principal. Na celebração seguinte, pela roda do ano, comecei a ir, como visitante, no grupo no qual o pessoal celebrava junto. As práticas eram mistas, com tendências, mas não declaradamente, wiccanas. Acabei entrando para ele, no meio do ano. Mas o grupo estava se desfazendo, pois a maior parte dos participantes estava sendo chamado para caminhos mais específicos. A parte do grupo que se manteve realmente coeso foi a metade dele que resolveu estudar druidismo. Me mantive com essa parte do grupo, já sabendo que o druidismo não era meu caminho, pois ainda não me sentia experiente o suficiente para trilhar as coisas mais independentes. Tudo foi vindo com experiências fortes, mas com tempo de assimilação entre elas, durante meu primeiro ano de celebrações, mas a partir daí as coisas se tornaram mais intensas, e o caminho cada vez mais claro. Hoje estou aqui, tendo passado por muita coisa, sem nunca ter sido formalmente inciada, sentada de madrugada escrevendo esse texto para aprender a terminar o que começo. Hoje tenho autonomia e confiança na maioria das minhas práticas. Sei me defender e já precisei disso. Leio I-ching, estou engatinhando no tarô. Se alguém me pergunta qual é a minha religião respondo que culuto os deuses da Grécia. Se é alguém que está preparado para saber, digo mais. Honro meus deuses a cada dia, e alguns deles são seres bem próximos de mim. Aprendi a colocar as dúvidas no lugar certo, o primeiro passo para ter um coração forte. Sou casada com um praticante do druidismo, e a diversidade cultural, coisa que parece tão distante para a maioria das pessoas, é cotidiana aqui em casa. Mas a minha vida não é um mar de rosas. Seguir uma religião como a minha não é fácil. Demanda muito esforço, dedicação, disciplina. Passei por maus bocados por chegar onde estou, e sei que vou passar sempre por eles. Aprendi mesmo a ver a vida como uma sucessão de desequilíbrios. É tudo muito mais difícil do que eu imaginava ao começar. Aquiles diz a Ulisses no Hades, que poderia ter se contentado em ser um simples pastor, e ter sido mais feliz, e ter vida longa. Eu poderia ter uma vida bem menos complicada sem isso, e talvez fosse mais feliz mesmo. Mas não me arrependo. Pois estou aprendendo a conhecer meu espírito. E esse é o verdadeiro objetivo de uma vida, segundo a minha sabedoria de criança da sexta série...
9:00 a.m. eu saio, com um fardo de jornal velho, o sensei com uma sacola de garrafas (mais conhecida como "a prova da manguaça"). Iamos depositar essas coisas na lata de lixo reciclável do Parque da Conceição. Um conjunto de latas de lixo pequenas, na frente do parque, que era o melhor lugar prá jogá-los que conhecíamos. Até que vimos uma senhora que também carregava lixo reciclável. Era uma quantidade imensa de gerrafas, latas, etc. Mas ela entrou no parque. Concordamos que ela devia saber de uma lixeira maior e mais adequada, que não conheciamos, e a seguimos. Depois de um tempo, perdemos a vergonha e perguntamos se ela estava indo jogar, e se podíamos acompanhar para ver aonde. Atrás do parque havia um conjunto de lixeiras grandes, embora não divididas em papéis, metais, plásticos e vidros. Ela disse "é, se ninguém fizer..." e sabe? Aquilo deu um sentimento bom. Não somos os únicos que pensamos assim. Não somos os únicos preocupados em dar um destino mais adequado a todo o lixo que pudermos, como uma forma de agradecer à Terra por tudo o que extraimos dela. Isso me fez sentir bem e mais animada.
Observação: Estou começando do ponto exato onde parei na parte dois. Recomendo que leia os dois posts.
No ano seguinte, uma das muitas reformas de ensino público pelo qual o país passou. E 1998 começou, hoje eu entendo, com as pessoas das escolas desesperadas, sem saber como aplicar as novas mudanças. Agora, era preciso encarar e falar dos temas transversais. O jeito da minha escola encarar isso foi obrigar os alunos, sob pena de desconto na nota, de assistir uma série de palestras na capela local. Em tese, as palestras não estariam voltadas para o pensamento católico, mas eu surtei. Decidi que não ia pisar em uma Igreja de jeito nenhum, que não queria aquilo, expliquei como os evangélicos - que eram uma boa metade da minha sala - deviam se sentir acuados e como isso era desrespeitar eles, e perguntava: "E se houvesse um budista ou hinduísta aqui? Como vocês iam tratá-lo? Ele ia ser obrigado a ir à Igreja também, mesmo não sendo cristão? A princípio, a ala evangélica se recusu a ir também, mas quando viram que a coisa de descontar nota era séria, voltaram atrás. Fiz trabalhos de recuperação de todas as matérias. Nunca tirei um conjunto de notas tão baixo em minha vida. Fiquei deprimida, não queria ir para a escola. Faltava dias e dias consecutivos, e às vezes chegava a ir até a escola para voltar atrás. Pensar que eu ia ter que ficar enfileirada rezendo a oração da manhã não fazia nada bem prá mim (e eu ainda sinto uma coisa horrível quando ouço essa oração), o que fez com que mudasse de escola no meio do ano. O segundo semestre passou voando, e surgiu uma oportunidade de voltarmos ao estado de São Paulo. Passei bem colocada na prova mais concorrida para o CEFAM-Diadema, de todos os tempos. O CEFAM era uma escola de magistério do estado em período integral, na qual os estudantes - todos vindos de escolas públicas - recebiam uma bolsa de estudos de um salário mínimo para se manter só estudando. Lá, fiz grandes amigos. Os amigos mais antigos com quem eu ainda mantenho contato são eles. E minha sala era uma coisa de louco. Tinha muita gente inteligente, mais inteligente e que sabia mais coisas do que eu! E eu nunca tinha tido pares antes, e muito menos gente da minha idade (ou um pouco mais velhos) com quem eu pudesse aprender tanto. Aquele ano entrou muita gente realmente boa e inteligente no CEFAM. A maioria estava na minha sala. E, através dessas pessoas, passei a conhecer idéias novas, coisas que eu não conhecia. Logo me enturmei com o grupinho do pessoal que curtia filosofia, música boa, artes... E debatíamos sempre que podíamos, e mesmo quando não podíamos! Se a aula não fosse "forte" o suficiente, lá estávamos nós discutindo através de escrita em folhas de fichário. Entrei em contato com muita coisa inquietante e nova, e pude compartilhar um monte de coisas que eu havia aprendido lendo tanto nos três anos anteriores. Isso me dava prazer. Também foi a primeira vez que conheci pessoas que se diziam atéias. E eu achei mesmo, por uns bons anos, que o ateísmo era a saída, já que esses deuses tiranos pareciam, pela lógica, terem sido criados pelo homem como uma válvula de escape, e então não podiam ser reais. Na época, eu diria a plenos pulmões ser atéia e anarquista! Mas pensando hoje nos meus dizeres e atos daquele tempo, por detrás de tudo aquilo nunca deixou de brilhar meu lado místico. Eu dizia acreditar que o homem tinha poderes que a ciência ainda não tinha explicado, e acreditava que pensamentos podiam ser transmitidos sem a fala, e dava uma posição considerável para sonhos e intuições para alguém que achava que nada podia ser conhecido, já que nossa única ferramenta de apreensão do mundo são os sentidos, que são falhos. Meus diários daquela época - eita bichinho da escrita que eu sempre tive e nunca me deixa mentir! - provam isso muito bem. Outra coisa interessante que escrevi foi quando o professor de Filosofia nos passou um trabalho de tema livre, e eu escrevi um panorama da filosofia grega, comparando as visõs mitológica e filosófica e lamentando a dismitologização do mundo! Claro, como linguajar e conhecimento de uma estudante de primeiro colegial. Faria um trabalho bastante semelhante (em termos de temática) na faculdade, anos depois. "Começe me provando que eu existo" eu dizia, e estava convencida de que seria impossível para outro homem o fazer racionalmente. Eu negava totalmente o meu lado frágil, meigo e suave. Tudo o que queria era ser reconhecida como uma pessoa livre e independente, em pensamentos e atos. O amor ainda não tinha me tocado, pois todas as tentativas e paixões que eu tivera nunca tinham dado em nada. Nesse ponto, eu até evitava as aproximações, para não me machucar nem machucar ninguém. Apesar de parecer um "dark period", um momento de luto pela morte da ilusão do grande deus que eu pensava existir, esse período foi muito mais formador do que poderia parecer. Aprendi as alegrias e dores da paz, mas também as da guerra. Comecei a perceber a necessidade de se aprofundar naquilo que gostamos, comecei a me tornar mais atenta ao mundo real, presente, prá além dos meus vislumbres de lugares e períodos distantes. Me humanizei bastante, e, apesar dos altos e baixos, fui feliz. Pensei, no entanto, ter encontrado um caminho tranquilo e estável. Mas as coisas mudaram aos poucos para me tornar quem eu sou. E em breve postarei a quarta e última parte, que levará ao momento atual.
| Category: | Books | | Genre: | Religion & Spirituality | | Author: | Diana Ffarington Hook |
Saudações!
Comprei esse livro, de autoria de Diana Ffarington Hook, da Editora Objetiva, em um sebo. O interessante dele é que ele é composto exclusivamente de orientações e explicações sobre o I, o que eu ainda não tinha conseguido encontrar no mercado editorial atual. Compilando desde as informações mais básicas como as mais avançadas em uma ordem não tão difícil de seguir como os estudos mais pesados como o do Legge e do Willihelm, ele vai esclarecendo as funções de certos elementos na interpretação do I-ching. Eu já tinha lido quase tudo nos livros que tenho aqui (se eu não estou enganada, estou com sete livros que são traduções e/ou interpretações do I-ching). O defeito do erro é que ele tem alguns erros (que são, provavelmente, de tradução e diagramação da versão brasileira) que fazem com que, principalmente, a seção de diagramas fique bastante confusa. Ainda assim, dedicando um pouco de atenção e paciência é um ótimo livro de referência, principalmente, mas não apenas, para os inciantes na leitura do oráculo.
O livro parte do básico dos básicos: O que é o I-ching, como se dá seu uso oracular, como se formaram os oito trigramas pelo Yin e pelo Yang, e vai, progressivamente, entrando nas complexidades sugeridas pelos arranjos dos trigramas e dos hexagramas na ordem do livro, nos arranjos dos céu Anterior e Posterior, e nos mapas do Rio Amarelo e do Rio Lo, mostrando como, nesse antiquíssimo e intrincado livro chinês, tudo está conectado. Dentre os diagramas, o que eu vi que prá mim foi novidade foram um relacionando a astrologia ao I-ching, tanto em termos de trigramas quanto de hexagramas (como eu não entendo de astrologia acaba não sendo muito útil), uma tabela através da qual você pode obter previsões mais precisas, com datas aproximadas de movimentos e eventos da mutação. Fora isso, sempre são úteis as tabelas com arranjos de hexagramas nos quais você pode consultar rapidamente qual é a sequencia de hexagramas nucleares e do céu anterior de cada trigrama, sem precisar carregar três ou quatro livros porque cada um traz uma das informações que você procura. Há ainda, no último apêndice, um pequeno glossário com aqueles termos que todo iniciante não sabe direito o que significa quando aparecem no texto de um hexagrama, descritos bem claramente.
De toda a leitura, o que mais ficou marcado em mim foi a mportância dos dois primeiros e dois últimos hexagramas, representando, nas palavras da autora, "a criação [hex 1], ou recepção [hex 2], ou perfeição [hex 63] ou transição [hex 64]" (p. 86) No fundo, a essência do I-ching está no fato de que esses são os quatro estados possíveis de uma situação. Todos os outros hexagramas, se fizermos as derivações de hexagramas nucleares, chegarão nesses quatro, sendo que o nuclear do 1 e do 2 são eles mesmo, o do 63 é o 64 e o do 64 é o 63, mostrando uma outra grande verdade: O equilíbrio é uma sucessão de desequilíbrios, como disse certa vez o Claudio Crow. Novamente nas palavras da autora: "Quanto mais se lê o I Ching, mais aparece o fato dele mostrar um todo em harmonia, ilustrando como as leis fundamentais e os princípios da vida devem ser aplicados em todas as coisas e ocasiões, desde o funcionamento do corpo humano até como opera o vasto universo."
São essas lições que desejo que fiquem gravadas na minha alma dentre as que conheci, ou reconheci, nesse livro.
Saudações! Essa foi uma semana bastante puxada para mim. Foi aquela bendita semana em que tanta coisa acontece, que parece que um mês inteiro se passou em seis dias. Reencontrei com amigos perdidos, fizeram-me (e me fiz) perguntas que deixaram pensando por um tempão, fiz merda, muita merda, mas também acertei. Até mesmo fui a um show do Pato Fu, descarregar um monte de coisas acumuladas, e ouvir canções dos bons tempos que já se foram (a sensação de ir a esse show foi meio a que passa a música Yesterday Once More, do The Carpenters). Tudo isso me fez trazer à tona velhas memórias, tanto aquelas que realmente me marcaram (e me traumatizaram, até ^^) quanto outras que eu realmente tinha me esquecido. E, por causa de tudo isso, ontem resolvi escrever isso aqui, contar para as outras pessoas como foram, até agora, minhas experiências com a religiosidade. Sei que estou devendo a mim mesma postar outras coisas aqui, mas, enquanto não as termino, espero que gostem de ouvir esse pedaço tão especial da minha vida. Nasci sob uma promessa a Nossa Senhora Aparecida, feita pela minha mãe, de que, se eu nascesse viva e ela sobrevivesse, ela iria à Aparecida do Norte, dedicar à Senhora uma vela do meu tamanho. Até hoje, minha mãe nunca foi a Aparecida, e, tampouco, cumpriu a promessa. Vai acabar ficando como Karma prá mim realizar. Minha família materna é extremamente tradicional e católica, como frequentemente acontece às famílias enraizadas no centro de Minas Gerais. Minha avó, que é minha madrinha de batismo, é uma senhora extremamente beata, e de uma fé incrivelmente poderosa, que, com sua fé, consegue tornar a sua vida realmente próspera. Nada lhe falta, e ela é feliz. De seus muitos filhos, apenas um, o mais novinho, Mauro, foi levado por Deus para os céus antes que se tornasse adulto, coisa relativamente rara para aqueles que viviam no interior na época em que minha mãe nasceu. Bem, de qualquer forma era o único com um nome que não era santo, pois todas as mulheres têm o nome de um dos aspectos de Nossa Senhora, e o outro filho homem, à inspiração de meu avô, chama-se João. Assim, a primeira memória religiosa que eu tenho, de quando eu era bem pequena, é a da minha mãe me ensinando a Ave Maria, e dizendo, não só que eu devia rezar toda a noite para ser protegida por Deus, como que se eu não soubesse a oração ela não iria comigo para a casa da vovó nas férias... E, bem, tudo o que uma criança quer é uma semana de férias na casa da vovó, né? Minha mãe, no entanto, não ia à missa a não ser nas férias anuais na casa da minha avó. Ela via a missa televisionada pela Cultura todo domingo de manhã, e, para ela, isso era sufuiciente. Nunca vi minha mãe comungando. Ela diz que não o faz pois acha que se confessar é uma baboseira. Eu sabia que crianças da minha idade iam à catequese para aprender sobre Deus, e tinha vontade de aprender também, mas minha mãe não me colocou na catequese, quer porque ela queria que eu escolhesse já maiorzinha, quer porque não tinha nenhuma igreja perto da minha casa e isso seria muito trabalhoso. Eu, em compensação, morria de curiosidade, pois sabia que Deus existia, mas não entendia nada sobre ele! Lembro de uma vez que minha avó veio me visitar, e eu pedi que ela me ensinasse o Pai Nosso. Nessa época tinha muito desejo de aprender, e raras vezes esse desejo me abandonou.
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