Flores Sendo - Blog da Lórien

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Blog EntryMais um achado sobre cultura celta...Feb 1, '08 5:16 PM
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... ou, o que esses deuses querem comigo...

Saudações!

Estava eu indo para o meu emprego atual (sim, eu tenho um emprego apesar de estar procurando outros, pois a minha carga horária lá está baixíssima), que, se eu tivesse de descrever com a metáfora de um arcano maior seria, definitivamente, a Roda da Fortuna, e, saindo da Paulista fui passar pela passarela subterrânea que dá acesso ao ponto de ônibus no meio da Consolação.
Na verdade, estava andando bem avoada. Pensava em várias coisas ao mesmo tempo, e parece que eu havia me decidido a pintar alguma coisa hoje à noite, para ser distribuído para quem estiver no ritual de Briganthia amanhã. E eis que eu vejo um livro: Anam Cara, um livro de sabedoria celta, de Jonh O'Donohue.
Eu ouvi falar desse livro pela primeira vez quando estava no curso de druidismo do Claudio Crow Quintino, deve fazer um ano e meio. E, na época, o procurei, mas estava esgotado. E, de repente, ele me aparece. Demorei uns segundos para me ligar de que realmente tinha visto aquilo, e tinha. Pedi para a vendedora para ver por dentro, pois estava emplasticado: Novinho em folha, apenas com cheiro de guardado, uma etiquetinha indicando que ele foi comprado na Hera Mágica há muito, muito tempo atrás. Pediam 25 reais, eu só tinha 20. Chorei desconto, comprei, e subi para o ponto feliz da vida por mais uma nova aquisição.
Quando cheguei novamente ao ar livre eu parei, e percebi o que tinha acontecido: Em três dias, tinha comprado quatro livros sobre celtas, sabendo que to super apertada de grana. E eles tinham me aparecido por total acaso.
O que os deuses celtas estão querendo de mim? Pois eu, sendo bem sincera, não acredito em coincidências. E justo uns poucos dias antes de Briganthia, o festival com o qual comecei minha primeira roda do ano, festival dedicado a Brighit, a deusa das chamas da forja, da inspiração e da cura? E se meu quatro de paus não era o que eu imaginava que fosse, quem me garante que ele não se refere à celebração de amanhã? Isso me deixa naquela situação gostosa que só conhecem aqueles que já aprenderam a esperar o inesperado, e estar abertos a ele. Se há uma mensagem a ser dada, se há algo que eu possa aprender com o povo do meu marido sem que isso interfira nas minhas próprias crenças, que venha!
Que amanhã o awen flua novamente através de mim, que não deixe de fluir nunca! O despertar de coisas novas esses desejos e essas coisas malucas, são, no fundo, o que eu escolhi para a minha vida. Uma escolha que eu tracei há tanto tempo, e que começou a se concretizar três anos atrás...

Blog EntryNovas aquisições sobre druidismoJan 30, '08 6:48 PM
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30 de Janeiro, 9:25 am. Lórien mais de meia hora adiantada para entrevista na Av. Paulista. A primeira coisa que vejo ao sair do metrô: Banca de jornal. A primeira coisa que vejo na banca, no expositor da frente: Pequenas revistas, bem baratinhas, com receitas. Dou uma olhada, para ver se alguma delas me servia. Acho uma legal, de receitas com gelatina. (aliás, decidi fazer um doce de lá para Briganthia, mas isso já é muito off-topic). Dei uma volta na banca inteira, e, quando vou pagar,  vejo em um expositor, que estivera na minha frente o tempo todo, mas para o qual eu não tinha olhado, e nele tinha, (pasmem!) todos os livros da editora Hi-Brasil para vender.
A editora Hi-Brasil foi fundada por alguns apaixonados por cultura celta extremamente respeitáveis, gente que trabalha bem nessa área. Mas, infelizmente, faliu já há algum tempo. Eles conseguiram publicar quatro livros: O Livro da Mitologia Celta, do Claudio Crow Quintino, Xamanismo Celta, do J. Mattews, O Ritual e  Princípios do Druidismo, da Emma Restall-Orr. Eu só tinha o primeiro. O Xamanismo Celta eu nunca sequer tinha visto! Perguntei o preço: 15,00 cada. O Chronos ia ter um treco quando soubesse. Paguei a minha revistinha de receitas, pedi para reservar os três, e liguei para o Chronos, no caminho para a entrevista.
Gastei um dinheiro que não podia ter gasto, mas não é sempre que você acha por acaso um lugar que vende livros bons de uma editora que já fechou por um preço tão modesto.
Mais três livros para a biblioteca da Lórien.
E uma Lórien mais feliz.
Os deuses tornam nossas vidas realmente imprevisíveis!


PS:Eles disseram que têm mais cópias desses livros lá. Se alguém quiser, é na Av. Paulista, 542, e o telefone deles é (11)3266-6802.

Blog EntryPanteões diferentes convivendo juntos?Jan 10, '08 11:04 AM
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Saudações!

Um post da Inês causou polêmica sobre a mistura de deuses de panteões diferentes. Eu já resvalei na minha opinião sobre o assunto neste e neste (também polêmico) escrito, mas nunca cheguei a dar uma opinião mais direcionada e profunda. Então, aí vai:

Em princípio, eu não aprendi nada com ninguém que siga, ou tenha seguido, o mesmo caminho que o meu. Li sobre o meu caminho, mas o aprendizado prático e/ou de convívio físico, foi todo com pessoas que seguem caminhos diferentes, e eu agradeço muito essas pessoas,e honro o jeito que fui, intencionalmente ou não, ensinada (pois a maioria dos que nos ensinam não têm a meta explícita de nos ensinar; eles estão vivendo a vida deles, e acabamos aprendendo com seus exemplos). Isso por sí só seria motivo para mim honrar, pelo menos, os quatro festivais celtas.
E, bem... Eu sou casada com outro neopagão, mas que não segue a mesma linha que eu. O Chronos pratica o druidismo, e eu cultuo os deuses da Grécia. É impossível para mim ignorar a existência do altar dele como a pimeira coisa que olhamos quando acordamos de manhã, assim como é impossível para ele que o meu altar para Héstia não seja a primeira coisa que ele olhe ao chegar em casa.
Há quem diga, mesmo entre praticantes extremamente sérios e conceituados do druidismo que é possível praticar o druidismo honrando deuses de outros panteões. Mas essa NÃO é a minha opinião. Eu já estudei um pouco de druidismo (nem metade do que eu gostaria), mas nunca vai ser o meu caminho. Não funciona assim comigo, apesar de eu usar muitas influências do druidismo nas minhas práticas.
Isso porque os meus deuses têm outras demandas. Meu conceito de ritual é muito mais solene, exige preparações e práticas que não necessáriamente são necessárias no druidismo. Ao mesmo tempo tem coisas importantes lá que não são importantes para mim. Então uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
No entanto, isso continua não impedindo em nada que eu celebre com o Chronos e outras pessoas que conheço que seguem o druidismo, nem que o Chronos ou quem quer que seja celebre os meus deuses comigo, mesmo se guiando por panteões diferentes. Inclusive, dependendo do caso, dentro de uma mesma celebração.
Só é importante distinguir uma coisa da outra. Perante os celtas, ou os nórdicos, ou os deuses afro-brasileiros (nunca assisti um ritual a eles, mas morro de vontade!), eu sempre me sentirei uma estrangeira, e me portarei como minha cultura diz que um estrangeiro deve portar-se: Respeitando os costumes de quem hospeda, sem jamais desprezar a hospitalidade, mas também sem trair meus preceitos.
Se para mim realizar um ritual exige preparações de purificação, não iria para qualquer ritual sem preparo, mesmo que para a religião "do outro" isso não seja necessário porque (como alguém disse em um reply a um dos posts que mencionei lá em cima) para ela tudo é rito. Para mim os deuses estão em todos os momentos de nossas vidas, e em todos eles lhes glorifico, mas existem momentos mais especiais, que são as celebrações, e  essas festas para os deuses  exigem cuidados muito especiais. Se eu não me apresentaria suja em uma festa dedicada aos deuses a que honro, não seria um desrespeito fazer isso perante os deuses honrados pelos meus amigos?
Sempre ao ir a algum ritual de outra cultura, me purifico como se fosse honrar aos meus próprios deuses, e, antes de sair, faço uma prece, avisando que estarei como estrangeira em terras de amigos (e nada mais familiar aos gregos que viajar, que ser estrangeiro e receber o estrangeiro - aliás, muitos de nossos deuses não são, em origem gregos, mas foram trazidos para o que se chama de Grécia Antiga, e assimilados e adaptados por essas populações), e reafirmo que não estou abandonando nada por estar ali. Desde que peguei esse jeito de me comportar, nunca mais tive problemas com o temido (e pesadíssimo) choque de egrégora, e conhecer o estrangeiro só me ajudou e acrescentou.
Quando celebramos de modo misto, seguimos tudo o que é necessário em ambos os modos de celebrar: Eu faço libações e oferendas como meu costume, e o Chronos, que é quem em geral celebra comigo de modo misto, conduz as preces necessárias pelo costume dele. E vamos indo bem assim, sem perder em profundidade, e sem se desrespeitar.

Uma coisa que gosto de lembrar sobre esse assunto é que, para muitos dos modos de se cultuar os deuses da Grécia, mesmo deuses do nosso panteão são inconciliáveis. Já lí várias vezes pela Internet que se deve cultuar apenas os deuses do Olimpo, e que esse negócio de mecher com Titãs ou divindades pré-olímpicas no geral não dá certo, pois "as cargas deles são muito pesadas para que os humanos suportem", e coisas assim. Nem sempre tão nitidamente, mas eu mesma tenho separado: Ou faço um ritual aos olímpicos, ou celebro os titãs e os espíritos da natureza. Mas ainda estou estudando mais, para resolver esse problema na minha mente, pois ainda não sei se preciso, ou não, seguir essa ortodoxia. E mesmo para quem cultua só um panteão, tem aqueles deuses que vemos todo dia, outros em ocasiões especiais...
Vejo tantos problemas em pessoas que misturam panteões quanto os que vejo naquelas que não se informam sobre as individualidades de cada deus, mesmo que cultuando dentro de um único panteão, ou se contentam com informações superficiais. Nada contra alguém que cultue deuses de mais de um panteão, respeitando as particularidades de cada deus e sabendo separar as coisas quando a separação é necessária.

E, se assim não fosse, que direito teríamos de cultuar deuses que não são de nossas terras, sendo que todas as "mitologias" eram geograficamente localizadas? Assim, acho que precisamos tentar não tomar posturas radicais contrárias a determinadas práticas, sem checar a possibilidade de aprofundar nelas antes. O que deve ser criticado, e combatido, e lembrado como exemplo para não fazer, é a superficialidade e o desleixo de certas práticas, o desrespeito às particularidades de cada deus e de cada cultura, e a prática de coisas sérias como se fossem brincadeiras, sem o preparo e o estudo necessário. Como disse o Chronos ontem, "nesse ramo, pior que o mal intencionado só o mal informado".

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Parque do Ibirapuera
Fotógrafo: Na maior parte do tempo João "Mandos" Uberti

Meio sem querer a noite caiu durante o ritual, o que pode ser observado pelas fotos.
Optamos por fazer um ritual leve, pela diversidade de pessoas que convidamos e pelo fato de seguirmos deuses de panteões diferentes.
Eu ia dizer no convite que quem quisesse podia trazer suas contribuições em poesias, bençãos, etc, mas acabei esquecendo. O interessante foi que isso surgiu espontaneamente durante o ritual.
Foi um momento muito importante para nós e agradeçemos a presença de todos, e a força dos que não estiveram presentes fisicamente, mas em coração.

Blog EntryDesrespeitando a própria religiãoOct 7, '07 12:49 PM
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Ontem aconteceu uma coisa que me deixou frustrada, e com um sentimento muito ruim.

Bem, na verdade não começou ontem, mas quinta, quando eu cheguei cansada e preocupada com meu trabalho de História dos Estados Unidos, para entregar a proposta em duas semanas, sendo que eu nem tinha definido o tema. Mas aparentemente ia ter o sábado mais ou menos livre, e, com algum esforço, seria fácil lidar com isso.
Meu marido me avisou, então, que haviamos sido convidados para um sarau por uma amiga dele. Ia ser com um pessoal que pratica o druidismo, com alguns afetos e alguns desafetos dessa pessoa que vos fala. Coisa que eu tento levar ao máximo numa boa, cansada de atritos e tentando uma "política conciliatória".

De qualquer maneira, não costumo recusar convites a saraus. Sinto falta da época onde tinha pelo menos um deles para ir por semana. Já começa a ficar difícil lembrar algumas das poesias que eu tenho de cor. Eu ia dar um jeito de ir.
Dei, e fui com ele, na maior alegria.  Chegamos lá, encontramos o pessoal, começamos a conversar. E, papo vai, papo vem, algumas pessoas começam a chamar o encontro de "ritual", e a coisa foi se tornando meio estranha. Resolvemos perguntar. "É, parece que vai ter um ritual", diz alguém. Vamos diretamente a quem nos convidou, perguntar o que ia realmente acontecer. Ela simplesmente havia esquecido de avisar que era um ritual. Ritual a quem, ou prá que? Eu já estava irritada demais prá perguntar.

As pessoas estão cansadas de saber que eu não sigo o druidismo. As pessoas estão cansadas de saber que eu participo e gosto de rituais de outras linhas, mas se eu não me preparar antes de sair de casa eu sinto choque de egrégora. Mais do que isso, pelo meu jeito de lidar com deuses e celebrações é definitivamente impensável celebrar a qualquer coisa sem um bom banho com a intenção de purificação para o ritual antes. Eu tinha tomado um banho, mas não era a mesma coisa.

Eu simplesmente não podia ficar. Tinha ido para lá à toa. Fui ficando com mais e mais raiva, pensando na minha roupa não lavada, no meu trabalho não feito... Para ficar sentada sozinha no Jardim Botânico, enquanto os outros se divertiam.

Mais do que isso. Como alguém vai a um ritual e se esquece do fato? Como alguém convida outras pessoas para algo tão sagrado com tanta displicência? No fundo, eu fui percebendo, ela não estava desrespeitando a mim e ao meu marido. Estava desrespeitando aos deuses dela, e a ela própria. Não foi uma iniciante que fez isso. Eu ainda nem sonhava em saber o que é neo-paganismo quando ela começou a estudar. E é uma pessoa iniciada em mega-ultra-plus trecos, supostamente graduada para ensinar os outros. Como uma pessoa estuda tanto para continuar tão tola, fraca e desrespeitosa?

Ela só podia ter feito isso de caso pensado. Para eu ser forçada a me isolar e as pessoas ficarem apontando o dedo para mim e dizendo "olha lá aquela criança bobona e anti-social que não sabe lidar com os outros e não quer participar de novo. Quando ela vai crescer? Aquela alí não aguenta o tranco, vive à sombra do marido e só está arrunando a vida dele, na verdade nem quer nada com neo-paganismo nenhum", como já disseram tantas e tantas vezes. Era muito difícil acreditar em outra explicação vinda de alguém como ela.

Chrorei mesmo. E de montão. De berrar, espernear, alí, sozinha. Não podia acreditar que uma pessoa mesquinha como aquela é modelo para pessoas que eu confio e amo, é celebrada como representante de uma religião tão legal quanto o druidismo. Como alguém em uma posição como a dela podia fazer tão pouco caso de si mesma?

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