Lorien's posts with tag: amigos
Saudações! Estou para postar isso desde quinta, só agora consegui tempo! Como eu já expliquei num post láááá atrás, meu contato com o neo paganismo e eu ter conhecido o meu marido foram graças ao conselho branco, um fã-clube de JRR Tolkien, com uma proposta extremamente interessante: Dentre todos os que formam a Federação Tolkendili Brasileira, é o único que (a) se divide em núcleos regionais, para discussões ao vivo (a Valinor, por exemplo, é principalmente nacional, embora tenha os encontros) e (b) tem uma gestão democrática, com sistema de ouvidoria, e cargos eletivos. Isso fez com que eu me apaixonasse cada vez mais pelo CB, e logo o preferisse a todas as outras associações. E, assim que comecei a participar dos encontros da Toca, entrei de cabeça: eles estavam começando de um grupo de leitura e discussão, e eu me ofereci para ajudar, uma vez que, na época, eu trabalhava mediando desses grupos. Em pouco tempo a pessoa que tinha proposto o projeto se afastou, e eu me tornei a coordenadora desse grupo por um bom tempo. Depois, fui coordenadora cultural da sede regional (a tal Toca SP), e diretora nacional de comunicação. Tendo a oportunidade de ver a coisa um pouco mais por dentro, vamos percebendo que ela não é perfeita como imaginamos, mas, mesmo com as imperfeições, era um local onde eu me sentia em casa, onde eu fiz muitos amigos, e fui muito feliz. Até cerca de um ano e meio atrás, quando eu escolhi me afastar dos encontros nacionais, aparecendo de vez em quando prá matar a saudade dos amigos: Não gostava do jeito que a coisa estava sendo administrada pela pessoa que era a diretora regional. Nunca votei nela, mas, no início, estava muito disposta a colaborar e ajudar (a idéia de oficializar quatro picnics por ano, um a cada estação, por exemplo, foi minha, na primeira reunião de diretoria logo que ela assumiu). O primeiro mandato dela foi estilo Kassab: mostrou serviço mas fez absurdos. E desde a reeleição, há um ano atrás, tudo está errado: Ela é autoritária, trata mal sócios e pessoas da diretoria quando eles discordam dela, prefere varrer a sujeira prá baixo da porta ao invés de expô-la, etc. Iniciou-se o ano, veio o período eleitoral. Então, como eu não sou de ficar quieta com situações que me desagradam, me candidatei a um cargo, o que eu achei que poderia cumprir melhor, dada a minha disponibilidade atual. Assim, o que quer que acontecesse, jamais poderia dizer que não havia tentado. Não passou pela minha cabeça em momento nenhum a situação que se passou daí prá diante: Todos os cargos que tinham concorrentes - e eram só 4 - eram candidatos únicos. E, passados dois dias da campanha eleitoral, ninguém perguntou mais nada, ninguém deu idéias, sugestões, conselhos, nada. Uma chatície. Nunca tinha visto tanta pasmaceira numa eleição da Toca. Veio a Lua Nova, e tiramos cartas novas. Eu tirei um dez de espadas, e fiquei com um medo imenso do que poderia acontecer. A iconografia tradicional é um cara morto, com dez espadas fincadas no peito dele, e a afirmação mais comum sobre a carta é "você foi derrotado". Deu medo, principalmente porque o Chronos morre de medo das espadas (só no baralho mesmo :p). Mas. no fundo, não fazia o menor sentido para mim no período maravilhoso que estou vivendo. Outras interpretações da carta são: Se fazer de vítima ou se sentir a vítima do mundo, fazer tempestade num copo d'água, se tornar um mártir, ou, simplesmente, reconhecer que alguma coisa terminou, e não mecher mais, não se preocupar mais, "não chutar cachorro morto", como disse a Pietra, que tirou a mesma carta antes de mim. O resultado das eleições, para mim, foi a manifestação do dez de espadas. Sim, não ganhei. Ninguém ganhou. Todos os cargos tiveram mais votos reprovando que aprovando os candidatos. Mas quem perdeu mesmo foi o coletivo, o grupo, a Toca São Paulo do Conselho Branco. Três minutos depois, passou a surpresa, e eu estava, pasmem, internamente muito feliz com o resultado: Tinha livrado minha consiência, ao me oferecer para ajudar, mas, já que não querem a ajuda, posso desencanar do assunto, do CB e da Toca, tornar essa etapa mais uma experiência legal do passado, e curtir coisas novas! O tempo que eu ia usar com a administração da Toca, posso usar pintando, fazendo aula de dança do ventre, escrevendo, estudando sobre o que eu quiser! Posso usar sendo eu mesma, sem máscaras sem politicagem adolescente, indo e voltando com liberdade. De repente, estava tomada de um sentimento delicioso! No fim tem coisas que só O Eremita faz por você, pois se eu estivesse com os Enamorados teria desabado de chorar, se estivesse com a Temperança teria saido apontando dedos como fiz da outra vez, se estivesse com A Força ia controlar a raiva, mas ela não ia deixar de existir. Mas eu saí limpíssima. Roseamente purificada (pq a minha cor é o rosa, não o branco :p) Com um peso a menos nas costas, e mais preparada para viver o presente. e é raro eu reconhecer o valor positivo de coisas como essas tão rapidamente. Perceber que tava encarando numa boa me fez sentir mais forte ainda! É, as espadas só são ruins se não sabemos ver. Se cartas em geral positivas, ou pelo menos calmas, como Os Enamorados, A Temperança, e O Mundo podem às vezes vir em suas faces enlouquecedoras, por que isso não aconteceria ao inverso? E por que não aconteceria também nos menores? As espadas são o ar em movimento. E o ar muda nossas mentes. Eu precisava desses ventos da mudança! Abraços a todos! Lórien
Ia blogar sobre outra coisa. Essa nem era tema de blog. Mas se fez necessário.
Há umas duas semanas atrás, Chronos me contava uma visualização. E eu, empolgada, e meio sem pensar no que dizia, soltei um "como Proteu?". Chronos não conhecia a lenda. Deixei prá ler prá ele depois, da Odisséia, para ele não perder o que dizia. E quarta à noite me lembrei disso. O primeiro exemplar da Odisséia que veio à minha mão, pois tenho uns três, foi justo a que eu estudei em 2002, cheia de anotações de uma época em que julgaria muito imaginativo aquele que me dissesse que eu ainda ia cultuar os deuses sobre os quais estava lendo. Achei a citação sobre Proteu muito mais fácil do que imaginava. Achei que ela estivesse depois da parte sobre Circe, e fosse Odisseu quem tivesse se deparado com ele, mas era Menelau quem contava a Telêmaco, ainda na parte incial da Odisseia, a tal Telemaquia do título. Acontece que o Velho do Mar logo se tornou uma preocupação secundária, uma vez que eu comecei a ler os trechos que eu havia marcado, e minhas observações, tão sucintas, mas tão cheias de significado. E ver minha energia, de quando era seis anos mais jovem do que sou hoje, ainda impregnada naquelas páginas. Foi bem difícil me desgrudar do livro por algum tempo.
Fui lavar a roupa e a louça, agora há pouco, e acabei começando a pensar em algo que lera a pouco. Uma amiga minha havia escrito sobre sua relação com uma determinada divindade. Saber como se aproximar de uma divindade nunca, nunca é fácil, mas se torna ainda mais difícil quando é uma divindade lembrada por poucos, e cuja presença inspira uma veneração muito profunda. E, então, me lembrei de um trecho, que posto aqui. Serve como conselho para ela, e para todos nós, em diferentes situações.
"E eles chegaram a Pilos, a imponente cidade de Neleu. (...) A tripulação enrizou a vela e enrolou-a, ancorou o navio e desembarcou. Telêmaco também desembarcou, depois Atenéia [ disfarçada como um mortal chamado Mentor], que rompeu o silêncio, dizendo: -Não deves mostrar-te envergonhado, de modo algum, Telêmaco. Sabes porque fizeste esta viagem: para saber notícias de teu pai (...) Vamos, pois, procurar logo Nestor: vejamos o que ele realmente pensa e sabe a respeito. Deves tu mesmo falar a Nestor, e pedir-lhe para dizer-te toda a verdade. Ele tem muito bons sentimentos para enganar-te. Telêmaco replicou: -Como posso ir cumprimentá-lo, Mentor? Não tenho prática de pronunciar discursos corteses. Além disso, um hovem deve se mostrar tímido quando se dirige a um homem idoso, Encarando-o com seus olhos penetrantes, Atenéia retrucou: -Pensarás algumas coisas sozinho, Telêmaco, e outras coisas Zeus colocará em teu espírito. Creio que não naceste e foste criado sem as bênçãos do Céu."
Homero, A Odisséia (em forma de Narrativa). 17a. Edição, Ediouro. Canto III.
Saudações! Um post da Inês causou polêmica sobre a mistura de deuses de panteões diferentes. Eu já resvalei na minha opinião sobre o assunto neste e neste (também polêmico) escrito, mas nunca cheguei a dar uma opinião mais direcionada e profunda. Então, aí vai: Em princípio, eu não aprendi nada com ninguém que siga, ou tenha seguido, o mesmo caminho que o meu. Li sobre o meu caminho, mas o aprendizado prático e/ou de convívio físico, foi todo com pessoas que seguem caminhos diferentes, e eu agradeço muito essas pessoas,e honro o jeito que fui, intencionalmente ou não, ensinada (pois a maioria dos que nos ensinam não têm a meta explícita de nos ensinar; eles estão vivendo a vida deles, e acabamos aprendendo com seus exemplos). Isso por sí só seria motivo para mim honrar, pelo menos, os quatro festivais celtas. E, bem... Eu sou casada com outro neopagão, mas que não segue a mesma linha que eu. O Chronos pratica o druidismo, e eu cultuo os deuses da Grécia. É impossível para mim ignorar a existência do altar dele como a pimeira coisa que olhamos quando acordamos de manhã, assim como é impossível para ele que o meu altar para Héstia não seja a primeira coisa que ele olhe ao chegar em casa. Há quem diga, mesmo entre praticantes extremamente sérios e conceituados do druidismo que é possível praticar o druidismo honrando deuses de outros panteões. Mas essa NÃO é a minha opinião. Eu já estudei um pouco de druidismo (nem metade do que eu gostaria), mas nunca vai ser o meu caminho. Não funciona assim comigo, apesar de eu usar muitas influências do druidismo nas minhas práticas. Isso porque os meus deuses têm outras demandas. Meu conceito de ritual é muito mais solene, exige preparações e práticas que não necessáriamente são necessárias no druidismo. Ao mesmo tempo tem coisas importantes lá que não são importantes para mim. Então uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. No entanto, isso continua não impedindo em nada que eu celebre com o Chronos e outras pessoas que conheço que seguem o druidismo, nem que o Chronos ou quem quer que seja celebre os meus deuses comigo, mesmo se guiando por panteões diferentes. Inclusive, dependendo do caso, dentro de uma mesma celebração. Só é importante distinguir uma coisa da outra. Perante os celtas, ou os nórdicos, ou os deuses afro-brasileiros (nunca assisti um ritual a eles, mas morro de vontade!), eu sempre me sentirei uma estrangeira, e me portarei como minha cultura diz que um estrangeiro deve portar-se: Respeitando os costumes de quem hospeda, sem jamais desprezar a hospitalidade, mas também sem trair meus preceitos. Se para mim realizar um ritual exige preparações de purificação, não iria para qualquer ritual sem preparo, mesmo que para a religião "do outro" isso não seja necessário porque (como alguém disse em um reply a um dos posts que mencionei lá em cima) para ela tudo é rito. Para mim os deuses estão em todos os momentos de nossas vidas, e em todos eles lhes glorifico, mas existem momentos mais especiais, que são as celebrações, e essas festas para os deuses exigem cuidados muito especiais. Se eu não me apresentaria suja em uma festa dedicada aos deuses a que honro, não seria um desrespeito fazer isso perante os deuses honrados pelos meus amigos? Sempre ao ir a algum ritual de outra cultura, me purifico como se fosse honrar aos meus próprios deuses, e, antes de sair, faço uma prece, avisando que estarei como estrangeira em terras de amigos (e nada mais familiar aos gregos que viajar, que ser estrangeiro e receber o estrangeiro - aliás, muitos de nossos deuses não são, em origem gregos, mas foram trazidos para o que se chama de Grécia Antiga, e assimilados e adaptados por essas populações), e reafirmo que não estou abandonando nada por estar ali. Desde que peguei esse jeito de me comportar, nunca mais tive problemas com o temido (e pesadíssimo) choque de egrégora, e conhecer o estrangeiro só me ajudou e acrescentou. Quando celebramos de modo misto, seguimos tudo o que é necessário em ambos os modos de celebrar: Eu faço libações e oferendas como meu costume, e o Chronos, que é quem em geral celebra comigo de modo misto, conduz as preces necessárias pelo costume dele. E vamos indo bem assim, sem perder em profundidade, e sem se desrespeitar. Uma coisa que gosto de lembrar sobre esse assunto é que, para muitos dos modos de se cultuar os deuses da Grécia, mesmo deuses do nosso panteão são inconciliáveis. Já lí várias vezes pela Internet que se deve cultuar apenas os deuses do Olimpo, e que esse negócio de mecher com Titãs ou divindades pré-olímpicas no geral não dá certo, pois "as cargas deles são muito pesadas para que os humanos suportem", e coisas assim. Nem sempre tão nitidamente, mas eu mesma tenho separado: Ou faço um ritual aos olímpicos, ou celebro os titãs e os espíritos da natureza. Mas ainda estou estudando mais, para resolver esse problema na minha mente, pois ainda não sei se preciso, ou não, seguir essa ortodoxia. E mesmo para quem cultua só um panteão, tem aqueles deuses que vemos todo dia, outros em ocasiões especiais... Vejo tantos problemas em pessoas que misturam panteões quanto os que vejo naquelas que não se informam sobre as individualidades de cada deus, mesmo que cultuando dentro de um único panteão, ou se contentam com informações superficiais. Nada contra alguém que cultue deuses de mais de um panteão, respeitando as particularidades de cada deus e sabendo separar as coisas quando a separação é necessária. E, se assim não fosse, que direito teríamos de cultuar deuses que não são de nossas terras, sendo que todas as "mitologias" eram geograficamente localizadas? Assim, acho que precisamos tentar não tomar posturas radicais contrárias a determinadas práticas, sem checar a possibilidade de aprofundar nelas antes. O que deve ser criticado, e combatido, e lembrado como exemplo para não fazer, é a superficialidade e o desleixo de certas práticas, o desrespeito às particularidades de cada deus e de cada cultura, e a prática de coisas sérias como se fossem brincadeiras, sem o preparo e o estudo necessário. Como disse o Chronos ontem, "nesse ramo, pior que o mal intencionado só o mal informado".
|  | Associação de Osaka, na Vila Mariana. Foi um dia muito divertido, depois de meses de preparo intenso. |
|  | Casamento de Chronos e Lórien, realizado em uma manhã fria de Sábado no Cartório do Jabaquara, próximo ao metrô São Judas, seguido de churrasco (e, depois, lançamento do livro da Shellob, cujas fotos também estão aí). |
Saudações!
Deve fazer já uns dois anos, eu e uma amiga minha decidimos escrever um blog contando só as coisas boas que aconteciam conosco: Chamava-se Motto Sugoi e estava no live journal. Não contamos para ninguém que escreveríamos, a princípio nem nossos namorados iam saber. O blog foi uma experiência gostosa, mas teve uma vida curta. E, by the way, essa amiga se distanciou bastante, por causa das tais diferenças de escolhas que separam destinos, mesmo os daquelas pessoas que, ao se encontrarem, percebem que já compartilharam mais vidas que muitos jamais pensaram existir. A idéia do blog vinha do fato de vermos tanta desgraça do mundo, enquanto a inspiração é uma coisa bela e traz o belo. No quanto às vezes precisamos nos desligar dessa desgraceira toda e ouvir coisas belas para conquistar prazer. E essa semana não escrevi antes porque fiquei pensando: Qual é o valor de escrever um monte de desgraça? Qual é a autenticidade em escrever apenas a parte boa escondendo que, no balanço das coisas, a situação não está legal? Prá deixar a maioria que lê meu blog porque gosta de mim e de minhas idéias preocupados, e aqueles que estão lendo por inveja exultarem de triunfo? Fiquei a semana inteira em casa sim. Com um corpo mole e um desânimo terríveis, com a imunidade lá embaixo, porque peguei ao mesmo tempo uma conjuntivite e uma infecção na garganta. Com um monte de tempo extra, consegui fazer pouca coisa, do bolo delas que tenho para fazer. Foi uma situação sisífica, se é que existe esse adjetivo. Tive cuidado e carinho. Precisei deles, e, também fiz aquela manhinha gostosa. Mas tive muita rosnação na semana de Minguante que me traz a TPM todos os meses. Tive um acesso de fúria, controlei outro. Eu não tinha acessos de fúria como esses antes. Mas evitava lidar com minha agressividade. Agora, que estou trabalhando com ela, às vezes o controle se esvai. Mas sabe? É tão mais complicado falar sobre tanta coisa quando seu blog está sendo lido! Por causa do grupo de estudos de tarot agora tem gente que eu estou conhecendo aos poucos e está lendo tudo isso. Por causa da tal da "network" do multiply li coisas que me interessaram em outros blogs, comentei, e as pessoas passaram a me ler também. Por causa de um post que você encontra aí um pouco mais prá baixo que feriu o ego de alguém, agora meu blog é considerado por alguns uma ferramenta inadequada nas mãos de uma tola violenta e ensandecida. E estes agora me leem para ver de quem eu vou falar mal da próxima vez. Para ver que injustiça eu vou cometer em nome da minha visão torpe da realidade... Ao contrário do Motto Sugoi, agora este blog está sendo lido. Lido por pessoas que tem diferentes Lóriens, ou Lúthiens, ou Sakuras mentais. É bom ser lido. Dá uma sensação gostosa. E isso é apenas um blog, eu não tenho que agradar a todos. Mas é fato que, estar sendo lida me estimula e me faz postar mais. Me faz querer compartilhar. Postei 4 vezes em Outubro, uma em Setembro, e antes disso, postei em Maio. Estou contando apenas o "blog" prá efeito de estatística, mas dá prá ter uma idéia de como estou mais empolgada com toda a coisa. Mas foi por estar sendo lida que desfiei a desgraceira sem vômito. Mas foi por estar sendo lida que pensei em contar também o lado bom... Parafraseando Drummond: "Eta vida besta, meu Deus"
Eu to há dias prá postar esse poema aqui, acompanhando a viagem da Pietra com a carta "A Morte" do Tarot, mas sempre me vinha à mente, e sempre me esquecia. Posto, antes que me esqueça de novo. Um amigo sempre recitava de cor para nós.
-------
As Mortes
quando o primeiro amor morreu eu disse: morri
quando o meu pai se foi coração descontrolado eu disse: morri
quando as irmãs mortas a tia morta eu disse: morri
depois, a avó do Norte os amigos da sorte os primos perdidos o pequinês, o siamês morri, morri
estou vivo a poesia pulsa a natureza explode o amor me beija na boca um Deus insiste que sim
sei não acho que só vou morrer depois de mim
(Tanussi Cardoso)
|  | 23 - 09 - 07 Parque do Ibirapuera Fotógrafo: Na maior parte do tempo João "Mandos" Uberti
Meio sem querer a noite caiu durante o ritual, o que pode ser observado pelas fotos. Optamos por fazer um ritual leve, pela diversidade de pessoas que convidamos e pelo fato de seguirmos deuses de panteões diferentes. Eu ia dizer no convite que quem quisesse podia trazer suas contribuições em poesias, bençãos, etc, mas acabei esquecendo. O interessante foi que isso surgiu espontaneamente durante o ritual. Foi um momento muito importante para nós e agradeçemos a presença de todos, e a força dos que não estiveram presentes fisicamente, mas em coração. |
|  | Autora: Rosana Rios. Local: Nova Cultura, no conjunto nacional.
Eu e o Chronos fomos direto do almoço do nosso casamento civil para lá, por isso estamos a caráter.
No meio do lançamento, apareceu lá perto a Morgana, do Castelo Rá-tim-Bum, e aproveitamos para satisfazer nossas crianças crescidas ^^ |
Ontem aconteceu uma coisa que me deixou frustrada, e com um sentimento muito ruim.
Bem, na verdade não começou ontem, mas quinta, quando eu cheguei cansada e preocupada com meu trabalho de História dos Estados Unidos, para entregar a proposta em duas semanas, sendo que eu nem tinha definido o tema. Mas aparentemente ia ter o sábado mais ou menos livre, e, com algum esforço, seria fácil lidar com isso. Meu marido me avisou, então, que haviamos sido convidados para um sarau por uma amiga dele. Ia ser com um pessoal que pratica o druidismo, com alguns afetos e alguns desafetos dessa pessoa que vos fala. Coisa que eu tento levar ao máximo numa boa, cansada de atritos e tentando uma "política conciliatória".
De qualquer maneira, não costumo recusar convites a saraus. Sinto falta da época onde tinha pelo menos um deles para ir por semana. Já começa a ficar difícil lembrar algumas das poesias que eu tenho de cor. Eu ia dar um jeito de ir. Dei, e fui com ele, na maior alegria. Chegamos lá, encontramos o pessoal, começamos a conversar. E, papo vai, papo vem, algumas pessoas começam a chamar o encontro de "ritual", e a coisa foi se tornando meio estranha. Resolvemos perguntar. "É, parece que vai ter um ritual", diz alguém. Vamos diretamente a quem nos convidou, perguntar o que ia realmente acontecer. Ela simplesmente havia esquecido de avisar que era um ritual. Ritual a quem, ou prá que? Eu já estava irritada demais prá perguntar.
As pessoas estão cansadas de saber que eu não sigo o druidismo. As pessoas estão cansadas de saber que eu participo e gosto de rituais de outras linhas, mas se eu não me preparar antes de sair de casa eu sinto choque de egrégora. Mais do que isso, pelo meu jeito de lidar com deuses e celebrações é definitivamente impensável celebrar a qualquer coisa sem um bom banho com a intenção de purificação para o ritual antes. Eu tinha tomado um banho, mas não era a mesma coisa.
Eu simplesmente não podia ficar. Tinha ido para lá à toa. Fui ficando com mais e mais raiva, pensando na minha roupa não lavada, no meu trabalho não feito... Para ficar sentada sozinha no Jardim Botânico, enquanto os outros se divertiam.
Mais do que isso. Como alguém vai a um ritual e se esquece do fato? Como alguém convida outras pessoas para algo tão sagrado com tanta displicência? No fundo, eu fui percebendo, ela não estava desrespeitando a mim e ao meu marido. Estava desrespeitando aos deuses dela, e a ela própria. Não foi uma iniciante que fez isso. Eu ainda nem sonhava em saber o que é neo-paganismo quando ela começou a estudar. E é uma pessoa iniciada em mega-ultra-plus trecos, supostamente graduada para ensinar os outros. Como uma pessoa estuda tanto para continuar tão tola, fraca e desrespeitosa?
Ela só podia ter feito isso de caso pensado. Para eu ser forçada a me isolar e as pessoas ficarem apontando o dedo para mim e dizendo "olha lá aquela criança bobona e anti-social que não sabe lidar com os outros e não quer participar de novo. Quando ela vai crescer? Aquela alí não aguenta o tranco, vive à sombra do marido e só está arrunando a vida dele, na verdade nem quer nada com neo-paganismo nenhum", como já disseram tantas e tantas vezes. Era muito difícil acreditar em outra explicação vinda de alguém como ela.
Chrorei mesmo. E de montão. De berrar, espernear, alí, sozinha. Não podia acreditar que uma pessoa mesquinha como aquela é modelo para pessoas que eu confio e amo, é celebrada como representante de uma religião tão legal quanto o druidismo. Como alguém em uma posição como a dela podia fazer tão pouco caso de si mesma?
Uma mente muito inquieta pelas turbulências do dia, uma discussão interessante na Página da Pietra e uma tarefa me trazem de volta, para contar a parte desses caminhos mais próxima ao estágio em que me encontro Tudo começou quando, na última semana de aula no penúltimo ano de CEFAM, recebemos a notícia de que começaria um novo projeto na escola no ano seguinte: O Círculos de Leitura que, na época, era muito, muito mais modesto do que hoje em dia. O que me interessou logo de cara foi a promessa de que o terceiro livro que seria lido e discutido seria "O Banquete", de Platão. Era uma boa oportunidade de aumentar os meus conhecimentos. Mas não imaginei que fosse me interessar e envolver tanto. As discussões eram profundas e me satisfaziam. O tipo de contato proposto com os livros lidos e com a poesia despertavam coisas em mim que eu não sabia nomear. E aquilo tudo me inspirava na escrita e na vida. Havia um sentimento misterioso e muito sutil em jogo, que em muito me alegrava. Rapidamente me destaquei no projeto - pelos tipos de pensamento que mobilizava, pela carga de leituras que eu tinha antes, pelas poesias que eu comecei a decorar... Eu não era uma figura destacada, várias pessoas emergiam, como pares, cada um como uma flor diferente de um rico jardim. Dentre essas pessoas, superficial ou profundamente, já conhecia praticamente todas; mas foi a que menos conhecia que se tornou o meu companheiro de descobertas, debates e sonhos pelos três anos seguintes: O Chico, que alguns dos que estão lendo aqui provavelmente conhecem. E nossa primeira coisa compartilhada foi estudar, conjuntamente, a obra de JRR Tolkien. Ler muito, e discutir muito. Por acaso ele tinha "O Hobbit" e foi comprando, ao longo do primeiro semestre daquele ano, as demais obras de Tolkien, e passamos a viver, juntos, um pouco dentro delas. JRR Tolkien, esse cristão fervoroso, foi uma das pessoas mais importantes para a redescoberta de meu caminho espiritual. Se não foi a mais importante de todas. E foi empolgante quando ele me ligou nas férias para dizer que tinha comprado O Silmarillion e que ele tinha certeza que eu ia adorar, pois falava de muitos, muitos elfos, e eu adorava elfos. Peguei prá ler, me encantei muito, um tempo depois comprei um para mim para poder fazer anotações... o Silma se tornou minha, nossa Bíblia, por um tempo. E essa expressão, por mais que seja uma brincadeira normal dos Tolkendilli (fãs de Tolkien) foi um pouco verdade para mim. Pois estava vendo e vivenciando uma cosmogonia neopagã novamente, e, mesmo que fosse uma cosmogonia inventada de um mundo inventado, aquilo tudo parecia tão crível... Poderia mesmo ter acontecido em uma realidade paralela, como as histórias que eu escrevia quando estava na sexta série... Estavamos realmente fanáticos por tudo o que se relacionasse à Terra-Média. O ano de 2003 chegou, entrei na faculdade, comecei a trabalhar no Círculos de Leitura, que realizava sua primeira expansão, junto com o Chico e muitos outros que haviam sido do meu grupo. Vivia um tempo próspero, de realização de sonhos, e tudo isso se gestava em mim. Passou com uma deliciosa leveza. Para chegar 2004, e, logo no dia 3 de Janeiro, eu tomar coragem e ir, pela primeira vez a um encontro da Toca São Paulo, a sede paulistana do Conselho Branco - Sociedade Tolkien - e começar a conhecer pessoas que são parte muito importante dessa história. Foi na Toca que conheci, pela primeira vez, e pessoalmente, pessoas que realmente praticavam o neopaganismo. E foi com eles que comecei, um ano depois. E foi lá que conheci o Chronos, e nunca podia imaginar que aquele carinha tão nulo, com quem mal falei no primeiro ano-e-meio de convivência, ia se casar comigo. Quando as aulas começaram, tantas coisas novas já tinham acontecido . Estava muito feliz, e, naquele semestre, faria História Medieval! Mas eu, que esperava ouvir da cultura medieval, e do feudalismo, e etc., peguei um professor maravilhoso - o Flávio de Campos - mas que ia se focar em um tema que, para mim, ainda era bem indigesto - a história do cristianismo. Aquilo se engasgou na minha garganta, e disse a mim mesma "ok, vou ter que passar o semestre inteiro estudando isso. Então, vamos tentar tornar as coisas mais leves." E peguei para ler um dos livros que comprara no final do ano anterior, na mega feira que sempre tem na usp com descontos muito bons: "Isto és tu: Redimensionando a Metáfora Religiosa", de Joseph Campbell. Já havia lido, então, um pedaço d' "O Poder do Mito", e Campbell me encantava muito. Principalmente por que ele havia escrito sobre algo que havia percebido ainda na meninice: Que as mitologias tinham muito em comum umas com as outras - percepção essa que me levou, pela primeira vez, à idéia de cursar História. O livro do Campbell casou muito bem com as aulas do Flávio, que explicavam a origem da Igreja e do pensamento cristão como o conhecemos, para, através da compreensão racional, ir quebrando as barreiras ao pensamento cristão que eu tinha me imposto devido às màs experiências do passado. E a conjunção dessas coisas todas foi reacendendo em mim, bem lentamente, um desejo pelo espiritual. E foi no início do ano seguinte que dei o primeiro passo. Já tinha uma amizade considerável por alguns neopagãos da Toca, e, conversando no MSN no meio do expediente, a Vaire me disse que naquela noite iria à celebração de Briganthia na Hera Mágica. Já havia ido na Hera umas duas vezes, para palestras sobre Tolkien e Rei Arthur do Claudio Quintino. De impulso, decidi ir junto. Senti muita coisa ao som daqueles tambores, e o que mais me animava era que aquela era uma espiritualidade que compreendia o que eu sentia quando eu declamava um poema, ou lia algo que me encantava. E mais, valorizava esse tipo de sentimento. O pessoal do lado druídico da coisa tem até nome para isso: Awen, o espírito que flui. E, desde esse princípio, eu sempre tive uma relação com o druidismo, embora esse não seja meu caminho principal. Na celebração seguinte, pela roda do ano, comecei a ir, como visitante, no grupo no qual o pessoal celebrava junto. As práticas eram mistas, com tendências, mas não declaradamente, wiccanas. Acabei entrando para ele, no meio do ano. Mas o grupo estava se desfazendo, pois a maior parte dos participantes estava sendo chamado para caminhos mais específicos. A parte do grupo que se manteve realmente coeso foi a metade dele que resolveu estudar druidismo. Me mantive com essa parte do grupo, já sabendo que o druidismo não era meu caminho, pois ainda não me sentia experiente o suficiente para trilhar as coisas mais independentes. Tudo foi vindo com experiências fortes, mas com tempo de assimilação entre elas, durante meu primeiro ano de celebrações, mas a partir daí as coisas se tornaram mais intensas, e o caminho cada vez mais claro. Hoje estou aqui, tendo passado por muita coisa, sem nunca ter sido formalmente inciada, sentada de madrugada escrevendo esse texto para aprender a terminar o que começo. Hoje tenho autonomia e confiança na maioria das minhas práticas. Sei me defender e já precisei disso. Leio I-ching, estou engatinhando no tarô. Se alguém me pergunta qual é a minha religião respondo que culuto os deuses da Grécia. Se é alguém que está preparado para saber, digo mais. Honro meus deuses a cada dia, e alguns deles são seres bem próximos de mim. Aprendi a colocar as dúvidas no lugar certo, o primeiro passo para ter um coração forte. Sou casada com um praticante do druidismo, e a diversidade cultural, coisa que parece tão distante para a maioria das pessoas, é cotidiana aqui em casa. Mas a minha vida não é um mar de rosas. Seguir uma religião como a minha não é fácil. Demanda muito esforço, dedicação, disciplina. Passei por maus bocados por chegar onde estou, e sei que vou passar sempre por eles. Aprendi mesmo a ver a vida como uma sucessão de desequilíbrios. É tudo muito mais difícil do que eu imaginava ao começar. Aquiles diz a Ulisses no Hades, que poderia ter se contentado em ser um simples pastor, e ter sido mais feliz, e ter vida longa. Eu poderia ter uma vida bem menos complicada sem isso, e talvez fosse mais feliz mesmo. Mas não me arrependo. Pois estou aprendendo a conhecer meu espírito. E esse é o verdadeiro objetivo de uma vida, segundo a minha sabedoria de criança da sexta série...
Observação: Estou começando do ponto exato onde parei na parte dois. Recomendo que leia os dois posts.
No ano seguinte, uma das muitas reformas de ensino público pelo qual o país passou. E 1998 começou, hoje eu entendo, com as pessoas das escolas desesperadas, sem saber como aplicar as novas mudanças. Agora, era preciso encarar e falar dos temas transversais. O jeito da minha escola encarar isso foi obrigar os alunos, sob pena de desconto na nota, de assistir uma série de palestras na capela local. Em tese, as palestras não estariam voltadas para o pensamento católico, mas eu surtei. Decidi que não ia pisar em uma Igreja de jeito nenhum, que não queria aquilo, expliquei como os evangélicos - que eram uma boa metade da minha sala - deviam se sentir acuados e como isso era desrespeitar eles, e perguntava: "E se houvesse um budista ou hinduísta aqui? Como vocês iam tratá-lo? Ele ia ser obrigado a ir à Igreja também, mesmo não sendo cristão? A princípio, a ala evangélica se recusu a ir também, mas quando viram que a coisa de descontar nota era séria, voltaram atrás. Fiz trabalhos de recuperação de todas as matérias. Nunca tirei um conjunto de notas tão baixo em minha vida. Fiquei deprimida, não queria ir para a escola. Faltava dias e dias consecutivos, e às vezes chegava a ir até a escola para voltar atrás. Pensar que eu ia ter que ficar enfileirada rezendo a oração da manhã não fazia nada bem prá mim (e eu ainda sinto uma coisa horrível quando ouço essa oração), o que fez com que mudasse de escola no meio do ano. O segundo semestre passou voando, e surgiu uma oportunidade de voltarmos ao estado de São Paulo. Passei bem colocada na prova mais concorrida para o CEFAM-Diadema, de todos os tempos. O CEFAM era uma escola de magistério do estado em período integral, na qual os estudantes - todos vindos de escolas públicas - recebiam uma bolsa de estudos de um salário mínimo para se manter só estudando. Lá, fiz grandes amigos. Os amigos mais antigos com quem eu ainda mantenho contato são eles. E minha sala era uma coisa de louco. Tinha muita gente inteligente, mais inteligente e que sabia mais coisas do que eu! E eu nunca tinha tido pares antes, e muito menos gente da minha idade (ou um pouco mais velhos) com quem eu pudesse aprender tanto. Aquele ano entrou muita gente realmente boa e inteligente no CEFAM. A maioria estava na minha sala. E, através dessas pessoas, passei a conhecer idéias novas, coisas que eu não conhecia. Logo me enturmei com o grupinho do pessoal que curtia filosofia, música boa, artes... E debatíamos sempre que podíamos, e mesmo quando não podíamos! Se a aula não fosse "forte" o suficiente, lá estávamos nós discutindo através de escrita em folhas de fichário. Entrei em contato com muita coisa inquietante e nova, e pude compartilhar um monte de coisas que eu havia aprendido lendo tanto nos três anos anteriores. Isso me dava prazer. Também foi a primeira vez que conheci pessoas que se diziam atéias. E eu achei mesmo, por uns bons anos, que o ateísmo era a saída, já que esses deuses tiranos pareciam, pela lógica, terem sido criados pelo homem como uma válvula de escape, e então não podiam ser reais. Na época, eu diria a plenos pulmões ser atéia e anarquista! Mas pensando hoje nos meus dizeres e atos daquele tempo, por detrás de tudo aquilo nunca deixou de brilhar meu lado místico. Eu dizia acreditar que o homem tinha poderes que a ciência ainda não tinha explicado, e acreditava que pensamentos podiam ser transmitidos sem a fala, e dava uma posição considerável para sonhos e intuições para alguém que achava que nada podia ser conhecido, já que nossa única ferramenta de apreensão do mundo são os sentidos, que são falhos. Meus diários daquela época - eita bichinho da escrita que eu sempre tive e nunca me deixa mentir! - provam isso muito bem. Outra coisa interessante que escrevi foi quando o professor de Filosofia nos passou um trabalho de tema livre, e eu escrevi um panorama da filosofia grega, comparando as visõs mitológica e filosófica e lamentando a dismitologização do mundo! Claro, como linguajar e conhecimento de uma estudante de primeiro colegial. Faria um trabalho bastante semelhante (em termos de temática) na faculdade, anos depois. "Começe me provando que eu existo" eu dizia, e estava convencida de que seria impossível para outro homem o fazer racionalmente. Eu negava totalmente o meu lado frágil, meigo e suave. Tudo o que queria era ser reconhecida como uma pessoa livre e independente, em pensamentos e atos. O amor ainda não tinha me tocado, pois todas as tentativas e paixões que eu tivera nunca tinham dado em nada. Nesse ponto, eu até evitava as aproximações, para não me machucar nem machucar ninguém. Apesar de parecer um "dark period", um momento de luto pela morte da ilusão do grande deus que eu pensava existir, esse período foi muito mais formador do que poderia parecer. Aprendi as alegrias e dores da paz, mas também as da guerra. Comecei a perceber a necessidade de se aprofundar naquilo que gostamos, comecei a me tornar mais atenta ao mundo real, presente, prá além dos meus vislumbres de lugares e períodos distantes. Me humanizei bastante, e, apesar dos altos e baixos, fui feliz. Pensei, no entanto, ter encontrado um caminho tranquilo e estável. Mas as coisas mudaram aos poucos para me tornar quem eu sou. E em breve postarei a quarta e última parte, que levará ao momento atual.
|  | e atenção! Nenhuma foto minha dessa vez :p Estava de total civilian :D Mais ou menos organizado por tema/anime |
|  | Algumas das minhas - poucas - fotos do Internacional desse ano, novamente realizado no Colégio Marista Arquidiocesano |
Saudações! Essa foi uma semana bastante puxada para mim. Foi aquela bendita semana em que tanta coisa acontece, que parece que um mês inteiro se passou em seis dias. Reencontrei com amigos perdidos, fizeram-me (e me fiz) perguntas que deixaram pensando por um tempão, fiz merda, muita merda, mas também acertei. Até mesmo fui a um show do Pato Fu, descarregar um monte de coisas acumuladas, e ouvir canções dos bons tempos que já se foram (a sensação de ir a esse show foi meio a que passa a música Yesterday Once More, do The Carpenters). Tudo isso me fez trazer à tona velhas memórias, tanto aquelas que realmente me marcaram (e me traumatizaram, até ^^) quanto outras que eu realmente tinha me esquecido. E, por causa de tudo isso, ontem resolvi escrever isso aqui, contar para as outras pessoas como foram, até agora, minhas experiências com a religiosidade. Sei que estou devendo a mim mesma postar outras coisas aqui, mas, enquanto não as termino, espero que gostem de ouvir esse pedaço tão especial da minha vida. Nasci sob uma promessa a Nossa Senhora Aparecida, feita pela minha mãe, de que, se eu nascesse viva e ela sobrevivesse, ela iria à Aparecida do Norte, dedicar à Senhora uma vela do meu tamanho. Até hoje, minha mãe nunca foi a Aparecida, e, tampouco, cumpriu a promessa. Vai acabar ficando como Karma prá mim realizar. Minha família materna é extremamente tradicional e católica, como frequentemente acontece às famílias enraizadas no centro de Minas Gerais. Minha avó, que é minha madrinha de batismo, é uma senhora extremamente beata, e de uma fé incrivelmente poderosa, que, com sua fé, consegue tornar a sua vida realmente próspera. Nada lhe falta, e ela é feliz. De seus muitos filhos, apenas um, o mais novinho, Mauro, foi levado por Deus para os céus antes que se tornasse adulto, coisa relativamente rara para aqueles que viviam no interior na época em que minha mãe nasceu. Bem, de qualquer forma era o único com um nome que não era santo, pois todas as mulheres têm o nome de um dos aspectos de Nossa Senhora, e o outro filho homem, à inspiração de meu avô, chama-se João. Assim, a primeira memória religiosa que eu tenho, de quando eu era bem pequena, é a da minha mãe me ensinando a Ave Maria, e dizendo, não só que eu devia rezar toda a noite para ser protegida por Deus, como que se eu não soubesse a oração ela não iria comigo para a casa da vovó nas férias... E, bem, tudo o que uma criança quer é uma semana de férias na casa da vovó, né? Minha mãe, no entanto, não ia à missa a não ser nas férias anuais na casa da minha avó. Ela via a missa televisionada pela Cultura todo domingo de manhã, e, para ela, isso era sufuiciente. Nunca vi minha mãe comungando. Ela diz que não o faz pois acha que se confessar é uma baboseira. Eu sabia que crianças da minha idade iam à catequese para aprender sobre Deus, e tinha vontade de aprender também, mas minha mãe não me colocou na catequese, quer porque ela queria que eu escolhesse já maiorzinha, quer porque não tinha nenhuma igreja perto da minha casa e isso seria muito trabalhoso. Eu, em compensação, morria de curiosidade, pois sabia que Deus existia, mas não entendia nada sobre ele! Lembro de uma vez que minha avó veio me visitar, e eu pedi que ela me ensinasse o Pai Nosso. Nessa época tinha muito desejo de aprender, e raras vezes esse desejo me abandonou.
|  | Apesar do Solo Sagrado ser um lugar maravilhoso, o tempo chato que estava fazendo no dia do passeio deu uma prejudicada. As fotos que tenho de lá, da outra vez que eu fui (antes mesmo que eu comprasse minha câmera digital) estão bem mais bonitas. Como são quase 100 fotos e eu estou numa fase meio egocêntrica e apaixonada, preferi por mais fotos minhas e do meu noivo dessa vez. Talvez também pela frustração de as fotos de paisagem terem sido meio atrapalhadas pelo tempo ruim. Espero que gostem do mesmo jeito |
|  | Estes seres são as pessoas de quem eu sempre me despedirei com eu te amo |
[11:22] L: será que um dia eu leio tudo? [11:22] k2: ahuauauhuh [11:22] k2: eu tp me divertindo [11:22] k2: vendo como eu estava PODRE [11:22] k2: eu me sinto melhor hj [11:23] L: é, às vezes isso faz melhorarmos [11:26] L: queria ter um blog tão long quanto o seu [11:26] k2: questão de tempo [11:26] L: tive vários blogs, mas já devem ter sido todos deletados pelos servidores [11:26] L: a duração deles é de cerca de 6 meses, sempre [11:27] L: depois abandono e vou prá outro canto [11:27] L: a única coisa menos instável é o multiply [11:27] L: http://luthienbr.multiply.com/ [11:27] L: preciso parar com a mania de dividir minha vida em fases [11:27] K2: ah, eu não abandono nada meu [11:27] K2: op meu DJ tem fases [11:27] K2: mtas delas
|
|